As previsões da Moody's estão muito longe daquilo que o Governo espera no que toca às metas do défice. Enquanto o Governo de António Costa está confiante em baixá-lo para os 2,2% este ano, a agência de rating não acredita que fique abaixo dos 3%. 

Ou seja, não acredita que Portugal saia ainda em 2016 do Procedimento por Défices Excessivos. Para isso acontecer, o défice teria de ser inferir àquela percentagem.

"No entanto, na perspectiva da Moody's, o desvio (em relação à meta governamental do défice) deverá ser contido, dado o intenso escrutínio do processo orçamental português pela Comissão Europeia e o pedido de medidas adicionais caso a execução orçamental apontar para um desvio".

O Presidente da República já reagiu, dizendo que os analistas estão "em permanente agitação" e que fazem "especulação sobre a instabilidade", quando neste momento há estabilidade em Portugal.

Em março, já tinha deixado um aviso no mesmo sentido, ao advertir que havia um "risco muito elevado" de Portugal falhar os objetivos.

No início do mês, o Governo reiterou que vai cumprir metas e descartou uma mudança de rumo, apesar de também as previsões da Comissão Europeia apontem para um crescimento mais tímido do PIB e igualmente para um défice mais elevado (2,7%), embora não esteja tão pessimista como a Moody's.

O "fardo" da dívida 

A agência de rating adverte ainda o Governo para o "fardo muito elevado" da dívida de Portugal, o que constitui "um desafio fundamental", num contexto de perspetivas de crescimento económico apenas moderado. E muito mais moderado do que a zona euro, com a agência de notação financeira a fazer a comparação, por exemplo, com a vizinha Espanha.

Embora antecipe um declínio gradual do rácio da dívida pública nos próximos anos,  também observa que a tendência de queda é vulnerável à derrapagem orçamental.

Banca: um "risco chave"

Na mesma lista de advertências, surge outra direcionada especificamente para a "fraqueza" do setor bancário: ainda persiste e continua a ser um "risco chave" para o rating de Portugal.

Esta agência tem Portugal em território de 'lixo' com um 'rating' de Baa1 e perspectiva estável, mas recorda que nos últimos anos o desempenho orçamental tem sido repetidamente impactado de forma negativa pela injeção de capital em vários bancos.

"O Governo poderá ter de injectar novo apoio em termos de capital a um banco público este ano", adiantou, referindo-se à necessidade de capital da Caixa Geral de Depósitos.

Pela positiva, a Moody's destaca que a economia de Portugal tem vindo a reequilibrar o setor de bens comercializáveis e há melhorias a registar nos indicadores de competitividade externa.