Jörg Asmussen vai deixar a direção do Banco Central Europeu (BCE) para se tornar secretário de Estado no novo governo alemão liderado por Angela Merkel, anunciou o Partido Social Democrata (SPD), avança a Lusa.

«Jörg Asmussen regressa, vai tornar-se secretário de Estado de Andrea Nahles», a futura ministra do Trabalho, anunciou no domingo o presidente do SPD, Sigmar Gabriel, que vai ocupar o cargo de ministro da Economia e da Energia no governo de coligação, sendo vice-chanceler.

As atribuições exatas de Asmussen no ministério ainda não foram anunciadas.

No Twitter do BCE, o presidente da instituição, Mario Draghi, publicou duas mensagens sobre a saída de Asmussen. Numa delas sublinha o seu contributo nos últimos dois anos «para aperfeiçoar a união monetária» e na outra Draghi diz que pessoalmente vai sentir a falta.

O Ministério do Trabalho, onde Asmussen ficará, terá a responsabilidade de aplicar o salário mínimo na Alemanha, uma das promessas do SPD durante a campanha eleitoral.

Jörg Asmussen ocupou o cargo de secretário de Estado das Finanças durante o primeiro mandato de Merkel (2005-2009), também num Governo de coligação dos cristãos democratas da CDU/CSU com os sociais democratas do SPD. Manteve-se no cargo na coligação de Merkel com os liberais, sob a tutela de Wolfgang Schäuble, mas sairia para integrar o BCE em 2011.

Alguns analistas consideram que com a saída de Asmussen do BCE, Draghi perde um aliado precioso para defender a sua política na Alemanha.

«Esta saída de surpresa constitui uma perda estratégica para o BCE», considera Christian Schulz, do banco Berenberg, lembrando que Asmussen defendeu junto do Tribunal Constitucional do seu país uma das medidas do BCE - o programa OMT (Outright Monetary Transactions), um programa de compra de obrigações pelo Banco Central Europeu para ajudar os países em dificuldades.

O governo alemão terá agora de propor um nome para o substituir.

Segundo a agência alemã DPA, três mulheres são apontadas como possíveis representantes da Alemanha na direção do BCE - Sabine Lautenschläger, vice-presidente do Banco Central Alemão, Claudia Buch, conselheira governamental e Elke König, que dirige o organismo alemão de supervisão dos mercados financeiros.

Lautenschläger recebeu já hoje o apoio do ministro das Finanças que afirmou a uma rádio que seria «uma boa ideia» que fosse a sucessora de Asmussen.

A questão será decidida pelo Conselho Europeu, após consulta ao Parlamento Europeu, num processo que pode levar meses, deixando vago um lugar importante para o BCE dado que Asmussen era o responsável pelas relações internacionais, representando a instituição nas reuniões europeias ou da troika de credores dos países sob assistência financeira.