A agência de notação financeira Standard & Poor¿s (S&P) cortou o rating do BCP e colocou toda a banca portuguesa sob perspetiva negativa. Uma decisão que surge poucos dias depois de também a perspetiva da dívida da República ter sido cortada para negativa.

O BCP sofreu a pior revisão, com a nota, que se encontrava já na categoria de «lixo», a cair mais um degrau, para «B».

Os outros bancos têm perspetiva negativa. BES e BPI já tinham, mas agora juntaram-se-lhes a CGD e o Santander Totta, que não sofreram ainda qualquer corte de nota, mas cujo outlook passou de estável para negativo, o que significa que a classificação das suas dívidas podem ser cortadas em breve.

A CGD tem uma classificação de «BB-» na escala da S&P, tal como o BES e o BPI. O Santander Totta tem uma classificação de «BB».

Recorde-se que a S&P tinha já colocado sob perspetiva negativa o rating da República, no passado dia 5 de julho, devido à instabilidade política.

Essa decisão reflete-se agora na banca nacional, devido à «tendência negativa nos riscos para a economia e para o sector bancário português», refere.

«Na nossa análise, o ambiente económico e operacional enfrentado pelos bancos portugueses pode revelar-se ainda mais difícil do que o antecipado e pode resultar em riscos de financiamento maiores e juros mais elevados», escrevem os analistas da S&P.



No caso do BCP, além dos riscos económicos decorrentes da instabilidade política, a agência identifica fragilidades específicas do banco, que tem «um perfil de risco mais fraco do que os seus pares», sendo por isso «mais vulnerável ao ambiente difícil».



«O Millennium bcp não só acumulou mais créditos problemáticos do que a média do sistema, como também a qualidade dos seus ativos se deteriorou mais depressa», explica.