A Reserva Federal (Fed) norte-americana decidiu hoje deixar as taxas de juro inalteradas, optando pela prudência face ao impacto "dos recentes desenvolvimentos da economia mundial e financeira".

No final de uma reunião em Washington, que foi muito esperada pelos mercados financeiros, o Comité de Política Monetária (FOMC, na sigla em inglês) manteve as taxas entre os 0 e os 0,25%, tal como estão desde dezembro de 2008, uma decisão que contou com a oposição de um dos elementos deste comité, que defendeu uma subida de um quarto de ponto percentual.

No comunicado da Fed após a reunião, os membros do FOMC tomaram nota das últimas turbulências nos mercados financeiros, da queda dos preços da energia e das matérias-primas, bem como do abrandamento da economia chinesa, elementos que podem influenciar os preços em queda.

O objetivo do banco central norte-americano é que a inflação nos Estados Unidos fique em torno dos 2% no médio prazo, um nível que considera ser saudável para a economia. A taxa de inflação está nos 0,3%.

"Os recentes desenvolvimentos económicos e financeiros podem restringir um pouco a atividade económica e podem exercer uma pressão em baixa na inflação a curto prazo", lê-se no comunicado.

A Fed considera que a economia norte-americana prossegue a um ritmo "moderado" e o FOMC assinala um modesto crescimento da despesa das famílias e dos investimentos das empresas, afirmando ainda que o mercado de trabalho "continua a melhorar, com sólidas criações de emprego e um declínio do desemprego".

Em agosto, a taxa de desemprego nos Estados Unidos ficou nos 5,1%, o valor mais baixo dos últimos sete anos.

A inflação está bastante abaixo do objetivo fixado, o que reflete "parcialmente" as baixas dos preços da energia e "os preços das importações".

De acordo com as suas projeções económicas, a Fed está mais otimista quanto ao crescimento económico e quanto ao desemprego do país para este ano, mas mais prudente para 2016, antecipando um crescimento de 2,1% em 2015 (acima dos 1,9% previstos em junho).