A Bolsa de Lisboa fechou a descer 0,92%, castigada pela queda da maioria dos pesos-pesados do índice, face a uma Europa dividida entre a desilusão causada pelos dados do emprego nos EUA e a subida do preço do petróleo, enquanto os investidores esperam a decisão da Moody's.

De acordo com a Reuters, no mercado de dívida, a taxa das Obrigações do Tesouro (OT) portuguesas a 10 anos sobe 2 pontos base para 3,34%.

A agência de notação Moody's deverá divulgar ainda hoje uma avaliação do rating soberano de Portugal, uma semana depois de a DBRS ter mantido o rating da República com grau de investimento.

A Moody's tem Portugal em "rating' Ba1, ainda em território de 'lixo', com perspetiva estável, mas disse em Março que está "bastante confortável" com essa notação.

Entretanto, o Tesouro português agendou para a próxima quarta-feira um leilão de Obrigações do Tesouro com maturidade em Julho de 2026, prevendo colocar entre 750 e 1.000 milhões de euros (ME).

No mercado acionista, o título que mais contribuiu para a queda do índice PSI20 foi o Millennium bcp, que perdeu 2,54% para 0,0345 euros, enquanto o rival doméstico BPI subiu 0,54% para 1,116 euros.

No espaço de uma semana, as ações do BCP desvalorizaram 10,85%, pressionadas pelos resultados fracos do primeiro trimestre e alguma preocupação quanto à erosão de capital.

Pressão adicional da família EDP que corrigiu dos disparos de ontem, dia em que o mercado aplaudiu as novas metas estratégicas do grupo para até 2020. As ações da EDP desceram 1,43% e as da subsidiária eólica EDP Renováveis caíram 0,8%.

A empresa anunciou ontem que prevê um crescimento médio anual de 4% no lucro líquido e de 3% no EBITDA até 2020, enquanto investirá 1.400 milhões de euros anuais, sobretudo nas eólicas e nos EUA, melhorando ainda o dividendo mínimo.

O HSBC subiu ligeiramente o preço-alvo da EDP para 3,5 euros por ação, de 3,4 euros antes, após uma atualização de estimativas para incorporar as sólidas metas estratégicas do Grupo até 2020, apesar de considerar que o perfil de risco da empresa aumentou com a mudança Governo em Portugal.

A Societe Generale também aumentou o 'target', em 3,8% para 2,7 euros, abaixo da cotação atual, incorporando uma superior ambição nas renováveis, mas alertando que as novas metas são 'optimistas', reiterando o 'Sell'.

No caso da EDPR, as novas metas da eólica até 2020 são exequíveis, suportadas por um plano de crescimento com elevada visibilidade e auto-financiado via mais rotações de ativos, segundo analistas, levando a aumentos no preços-alvo para o título.

As ações da retalhista Jerónimo Martins caíram 1,26, a NOS perdeu 1,58%, a Pharol desceu 1,47% e a Sonae Capital liderou com um tombo de 5,66%, após ter apresentado um conjunto de resultados no primeiro trimestre de 2016 que surpreenderam pela negativa.

"Os resultados da Sonae Capital dependem significativamente da performance operacional do Troiaresort e o primeiro trimestre de 2016 foi um trimestre fraco para a unidade, com a empresa a atribuir a fraqueza a um mercado de 'golden visa' menos dinâmico", explicou o Caixa BI.

Pela positiva e para além do BPI, destacou-se a Corticeira Amorim com uma subida de 2,1%, a capitalizar a expectativa de que venha a apresentar bons resultados no primeiro trimestre, e a Galp Energia a somar 0,71%, com o preço do petróleo.