O principal índice da bolsa portuguesa encerrou a sessão de esta sexta-feira a avançar 0,62% para 6.142,87 pontos, em linha com a Europa, mas os títulos do BES voltaram a cair 5,50% no regresso à negociação.

Das 20 cotadas no índice de referência português, 13 subiram, uma está com a cotação suspensa (o Espírito Santo Financial Group - ESFG) e as restantes seis desvalorizaram-se.

Depois de o supervisor do mercado ter suspendido na quinta-feira, a meio da sessão, a negociação das ações do BES, quando o banco já desvalorizava cerca de 17%, os títulos do banco voltaram hoje a ser negociados, ainda que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tenha proibido a venda a descoberto de ações esta sexta-feira.

Mesmo assim, o banco (ainda) liderado por Ricardo Salgado perdeu 5,5% para 0,481 euros, a maior queda da sessão.

No resto da banca, o BPI recuou 1,21% para 1,31 euros, ao passo que o BCP somou 0,20% para 0,102 euros e o Banif ganhou 4,55% para 0,0092 euros, a maior valorização do dia.

Já a negociação dos papéis do ESFG continua suspensa, depois de o grupo ter anunciado na quinta-feira, logo pela manhã, que tinha tomado essa decisão devido à sua exposição à Espírito Santo International (ESI), uma 'holding' de topo do Grupo Espírito Santo (GES).

Antes deste anúncio, o ESFG sofreu em bolsa fortes quedas nas últimas semanas, depois de ter sido tornada pública a existência de graves irregularidades nas contas da ESI.

Entre os pesos pesados, a EDP avançou 4,46% para 3,372 euros e foi decisiva para o fecho positivo do PSI20.

Os restantes três títulos com maior ponderação tiveram desempenhos em contraciclo, fechando todos em terreno negativo: a Galp caiu 0,16% para 12,715 euros, a Jerónimo Martins recuou 0,67% para 11,18 euros e a PT regrediu 1,61% para 1,834 euros.

No resto da Europa, entre os principais mercados, o dia foi de ganhos ligeiros, que variaram entre os 0,07% de Londres e Frankfurt e os 0,35% de Paris. Madrid foi a exceção, com uma ligeira queda de 0,04%.

Hoje, os mercados bolsistas acalmaram, depois das quedas generalizadas de quinta-feira terem sido atribuídas pelos especialistas às dúvidas sobre a solidez financeira do BES - o principal ativo do GES - e sobre a estabilidade financeira de uma das empresas de topo do grupo, a Espírito Santo International (ESI), onde foram detetadas irregularidades.

«Depois de um dia conturbado no meio do pânico em torno do banco português e os potenciais efeitos de contágio, os mercados hoje estiveram calmos», afirmou David White, analista da Spreadex, citado pela agência de informação financeira Bloomberg.