Os analistas, ouvidos pela Lusa, acreditam que a bolsa portuguesa vai continuar a valorizar no próximo ano, num desempenho que deve acompanhar a retoma da economia e acentuar-se se for concretizada a saída de Portugal do programa da troika.

«Para 2014, os ganhos nas bolsas mais desenvolvidas não se vão voltar a repetir até porque a política monetária [juros] deve começar a subir no final 2014 e em destaque estarão as bolsas periféricas. Se a União Bancária avançar rapidamente e se o risco soberano se dissociar do risco das empresas, podemos ver os índices português, espanhol, italiano a destacarem-se», afirmou Pedro Lino, da corretora Dif Broker.

O responsável considera ainda que o «consenso político em Portugal» e «mais acordos», como o firmado entre o Governo e o PS quanto à reforma do IRC, poderão fazer baixar as taxas de juro e impulsionar o PSI20, numa posição em que também alinha Steven Santos, gestor de conta da corretora online XTB.

«A confirmar-se a saída da troika, os juros a 10 anos caem e aí haverá mais interesse pelos títulos e pelo PSI20», que levará à subida da bolsa, afirmou este especialista.

Olhando para os títulos especificamente, Pedro Lino antecipa a continuação da subida do setor financeiro, do grupo Sonae - «a beneficiar da recuperação da economia» -, assim como da petrolífera Galp, que em 2013 não acompanhou a significativa valorização do PSI20.

As cotadas da banca são também um dos destaques que Steven Santos antevê para 2014, em especial o BES, assim como as empresas cujo negócio está alicerçado sobretudo na economia portuguesa.

«Nos últimos anos, olhávamos bastante para a Galp e para a Jerónimo Martins, empresas com exposição internacional forte. Em 2014, vamos olhar mais para empresas próximas da economia nacional», afirmou, destacando as cotadas Zon Otimus e a Sonae SGPS.

O PSI20 valorizou até dia 30 de dezembro, penúltima sessão de bolsa, 15,9% em 2013, no melhor desempenho anual desde 2009.

A Mota Engil foi a cotada que mais de subiu, tendo o valor dos seus títulos quase triplicado (176,5%) para 4,33 euros, enquanto os títulos da banca regressaram aos ganhos, com o BCP a destacar-se ao ver os seus títulos valorizarem 124,7% para 0,16 euros.