A Jerónimo Martins foi a cotada que maior atenção recebeu por parte dos analistas, segundo o Relatório de Supervisão da Análise Financeira da CMVM, que indica que os analistas são otimistas nos preços alvo atribuídos às ações.

No documento hoje divulgado, referente ao período de um ano terminado em outubro do ano passado, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) faz uma análise dos preços alvo das recomendações dos analistas financeiros e dos preços de mercado realmente atingidos no fim do período projetado, para considerar que «globalmente, cerca de duas em cada cinco projeções de preço alvo foram atingidas ou superadas».

Ou seja, em cada cinco projeções de preços alvo, três ficaram abaixo do preço que os títulos de facto atingiram em valores de mercado. Ainda assim, estes valores são melhores do que os registados em 2012, quando o preço alvo foi atingido em uma em cada cinco projeções.

«Tal como em 2012, os analistas tiveram menor grau de acerto no alcance dos preços alvo das ações que integram o PSI20, particularmente em resultado de um maior grau de precisão nas recomendações de comprar. Em termos setoriais, foi no setor financeiro, especialmente devido às recomendações de comprar, que os analistas financeiros denotaram maior acerto nas suas previsões», refere ainda o relatório, que acrescenta que os analistas nacionais são mais certeiros que os estrangeiros.

A CMVM alerta ainda para a «discordância» entre os analistas o que, segundo o regulador, «denota que a análise financeira é uma actividade sujeita a elevado nível de subjectividade e que, por isso, os seus resultados não devem ser tomados pelos investidores de forma acrítica».

O Relatório da Atividade de Supervisão da Análise Financeira do regulador dos mercados financeiros revela ainda que a Jerónimo Martins foi a cotada que mereceu maior atenção dos analistas, no período em análise, seguida da EDP e da Portugal Telecom.

«As recomendações emitidas sobre estes três títulos representaram 26,5% do total, o que atesta o elevado nível de concentração da cobertura dos analistas financeiros em empresas com maior dimensão e que integram o PSI20», principal índice da bolsa portuguesa, lê-se no documento.

A retalhista Jerónimo Martins foi objeto de 69 relatórios, a EDP de 55 e a Portugal de Telecom de 50.

A CMVM analisou 655 relatórios de análise financeira, sendo que a maioria das recomendações incluídas foram de compra de título (43,4%), enquanto as de venda representaram 21,1%.

Fez ainda análises formais aos relatórios de analistas recebidos, sendo que no caso das denominadas análises de intervenção rápida (que identificam eventuais casos de manipulação de mercado) foram solicitados «11 esclarecimentos a intermediários financeiros e outras entidades relacionados com recomendações de investimento, dos quais cerca de 75% respeitantes a entidades estrangeiras».

Segundo o regulador, os relatórios que mereceram atenção tinham «alterações significativas dos preços alvo e/ou do sentido da recomendação, dado serem estes os que são mais suscetíveis de provocar alterações nos volumes de transações ou nos preços de mercado».

Também foi analisado o cumprimento das recomendações da CMVM relativas à atividade de análise financeira, com o regulador a concluir que «apenas três intermediários financeiros (de um total de quatro) respeitam na íntegra três das cinco recomendações e um adota na íntegra apenas uma das recomendações, o que se afigura manifestamente insuficiente».