O presidente do IGCP, João Moreira Rato, antecipou esta quarta-feira que Portugal deverá emitir dívida de médio e longo prazo ainda antes do final do programa de ajustamento que termina em junho.

«Antecipo, não posso dar garantias, que será possível fazer emissões de mercado a médio e longo prazo antes do fim do programa. Uma emissão prepara-se e é necessário aferir a procura potencial que existe para ela e ainda não temos esse trabalho feito», disse o presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP aos jornalistas, após ter sido ouvido na comissão parlamentar de inquérito aos swap.

A imprensa chegou a noticiar que a emissão poderia realizar-se ainda este ano, mas Moreira Rato diz que no final do ano «as condições para se fazer emissões não são as normais».

Contudo, acrescentou, não ver «razão para esperar pelo fim do programa para fazer a emissão».

«Nós nunca prometemos emissões para datas concretas, portanto vamos sempre auscultando o mercado e vendo as melhores condições em cada altura e vamos ver o que é possível», afirmou.

O responsável frisou que «há interesse de investidores em emissões potenciais», «há condições para se regressar aos mercados rapidamente e há possibilidades de fazer emissões», a questão é se as condições são certas, nomeadamente em termos de custo de financiamento e de questões de incerteza que possam ter impacto nos mercados.

Questionado se um eventual chumbo do Tribunal Constitucional a algumas medidas do Orçamento do Estado pode interferir na escolha da data da emissão, Moreira Rato afirmou: «Todas variáveis que têm impacto nos juros são importantes quanto à altura certa para decidir uma emissão ao nível de juros e volatilidade que pode haver no mercado».