Portugal colocou o montante máximo previsto de 1.250 milhões de euros (ME) num leilão de Bilhetes do Tesouro (BT) a 6 e 12 meses, com as taxas a baterem recordes mínimos, na primeira emissão de dívida após o arranque do programa de Quantitative Easing (QE) do Banco Central Europeu (BCE) na semana passada.

Segundo a Reuters, o Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou 300 ME de BT a 6 meses e 950 ME a 12 meses.

O montante indicativo global era de 1.000-1.250 ME.

A taxa média ponderada (TMP) das BTs a 6 meses fixou-se em 0,047 pct, a mais baixa de sempre, e comparada com 0,108 pct num leilão em Janeiro.

A TMP a 12 meses foi 0,094 pct, também um novo mínimo histórico, face a 0,138 pct numa emissão de maturidade a 11 meses, em Fevereiro.

O programa de QE do BCE consiste na compra de 60.000 milhões de euros de dívida soberana da zona euro por mês até Setembro de 2015, visando impulsionar o crescimento económico e afastar o espectro da deflação na zona euro.

O arranque do programa, na segunda-feira passada, levou as yields de várias dívidas soberanas europeias para mínimos históricos no mercado secundário, com as taxas a fixarem-se pouco acimas desses níveis esta semana.

Neste contexto, os juros das obrigações do tesouro (OT) de Portugal a 10 anos negoceiam nos 1,707%.

A yield deste benchmark estabeleceu um mínimo recorde de 1,523 na semana passada, versus 6,1% no final de 2013 e mais de 17% no pico da crise soberana no início de 2012.

A procura de BT no leilão a 6 meses excedeu a oferta em 2,78 vezes face a 2,6 vezes no leilão anterior e a colocação a 12 meses registou um rácio bid-to-cover de 1,99 vezes versus 2,0 vezes.