Portugal colocou esta quarta-feira mil milhões de euros em dívida pública a três e 12 meses, com a procura a manter-se sólida e com a taxa de juro a baixar no prazo mais longo mas a subir no prazo mais curto.

De acordo com dados da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), divulgados através da Reuters, a taxa média ponderada na colocação a três meses subiu para 0,766%, face aos 0,743% do anterior leilão de maturidade equivalente. Neste prazo foram colocados 300 milhões de euros.

Já na colocação a 12 meses, foram vendidos 700 milhões de euros, e a taxa média ponderada desceu para 1,619%, face aos 1,72% do anterior leilão.

Em termos de interesse dos investidores, a procura pelos Bilhetes do Tesouro a três meses excedeu a oferta em 3,4 vezes (no anterior leilão tinha sido 4,8 vezes) e no prazo a 12 meses a taxa de cobertura foi 2,2 vezes (acima dos anteriores 1,8).

Para o gestor de dívida do Banco Carregosa, Filipe Silva, o leilão correu de acordo com o esperado: «As taxas saíram de acordo com o que tem sido a tendência do mercado secundário, sem grande surpresa. Nos três meses foi mais ou menos em linha com o último leilão comparável e nos 12 meses tivémos uma ligeira descida face à última colocação, em julho».

«A procura foi também em média com a dos últimos leilões. Decorreu sem surpresas numa altura de estabilização», concluiu, citado pela Reuters.

Já Ricardo Marques, analista de dívida da Informação de Mercados Financeiros (IMF), considera que «o resultado do leilão foi bom, sem ser extraordinário».

«Foi colocado o montante máximo previsto e beneficiou de uma menor oferta de títulos neste mês de agosto, aliado a uma estabilidade política face ao que aconteceu há um mês», acrescentou.

«Penso que só em setembro é que vamos ver como é que o mercado se vai posicionar para a dívida dos periféricos», concluiu.