Portugal colocou 1.500 milhões de euros (ME), mais do que previsto, de Bilhetes do Tesouro (BT) a seis e 12 meses, com as taxas recorde negativas, indiferentes à incerteza política no país após os partidos de esquerda terem derrubado o programa do Governo de centro-direita.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou 400 ME de BT a seis meses e 1.100 ME a 12 meses. O montante indicativo era de 1.000-1.250 ME, lembra a Reuters.

A taxa média ponderada (TMP) dos BT a seis meses fixou-se num novo mínimo histórico de -0,018%, face aos 0,006% registados no anterior leilão a 16 de Setembro.

Na maturidade a 12 meses, a taxa média foi de -0,006%, entrando em terreno negativo pela primeira vez, e face ao mínimo histórico de 0,006% num leilão dívida a 11 meses realizado a 21 de Outubro.

Apesar do Governo minoritário do Partido Social Democrata (PSD) com o CDS-Partido Popular ter ganho as eleições de 4 de Outubro, os partidos de esquerda derrubaram-no no Parlamento na semana passada e acordaram viabilizar um Executivo socialista.

A resolução da incerteza política cabe agora ao presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Segundo analistas, Cavaco Silva, deverá tomar uma de três decisões: empossar um Governo socialista com o apoio da esquerda, manter o atual Executivo sob gestão e avançar com um Governo da sua iniciativa.

Segundo analistas, a dívida portuguesa não tem sido muito penalizada pela crise política no país, pois está 'protegida' pelo programa de compras do Banco Central Europeu, embora os spreads face às equivalentes europeias tenham subido desde as eleições.

No mercado secundário, a taxa das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos cai 7 pontos base para 2,512%, ainda distante dos 6,1% no final de 2013 e mais de 17% no pico da crise soberana no início de 2012.

A procura de BT no leilão a seis meses excedeu a oferta em 2,72 vezes face a 4,1 vezes no leilão anterior e a colocação a 12 meses registou um rácio bid-to-cover de 2,18 vezes versus 1,8 vezes no anterior.