O preço do barril de petróleo do mar do Norte (Brent) caiu esta terça-feira para valores inferiores a 60 dólares, pela primeira vez desde 2009, provocando o receio dos mercados de uma nova crise económica global.

O barril de Brent para entrega em janeiro estava a cotar a 59,85 dólares no Intercontinental Exchange de Londres, o que representa uma queda de 1,21 dólares em relação ao fecho do mercado na segunda-feira, nota a Lusa.

A cotação chegou mesmo aos 59,63 dólares, o nível mais baixo desde julho de 2009.

O outro valor de referência do petróleo, o light sweet crude (WTI), com entrega prevista também para janeiro, estava a cotar a 55,02 dólares no New York Mercantile Exchange (Nymex), 0,89 dólares abaixo do preço no fecho da sessão de segunda-feira.

A queda do preço do petróleo registada hoje deve-se, segundo o banco HSBC, a uma contração da produção chinesa registada este mês para o nível mais baixo dos últimos sete meses.

«Se a produção chinesa não cresce e regista uma contração, isso significa que o resto do mundo consome menos e que a China precisa de menos energia. E como (a China) é a segunda maior economia do mundo, isso representa muita energia», explicou à agência AFP o analista da Accendo Markets Mike van Dulken.

O preço do petróleo caiu para cerca de metade do valor que tinha no início deste ano, devido a um aumento da oferta e á queda da procura.

A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou na sexta-feira que o crescimento da procura será menor em 2015 do que este ano, com o consumo a dever aumentar 900 mil barris por dia.

No total, o consumo deverá atingir no próximo ano os 93,3 milhões de barris de petróleo por dia, prevê a AIE baixando as estimativas que tinha feito anteriormente e que mostravam um total de consumo esperado de 93,6 milhões de barris de petróleo por dia.

Esta revisão das estimativas deve-se, de acordo com a mesma fonte, às baixas expectativas para a procura dos países da antiga União Soviética e de outros países exportadores de petróleo

Por seu lado, os produtores inseridos na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) mantêm a posição tomada na última reunião do cartel, no final de novembro, preferindo não intervir nos mercados petrolíferos e continuar a produzir 30 milhões de barris por dia.