O pânico que tomou conta dos mercados logo na abertura da sessão, provocado pela crise política em Portugal, desencadeada pela demissão de Paulo portas do Governo, não desarma. A bolsa de Lisboa continua a cair mais de 5,5% e os juros da dívida continuam em alta.

Após os máximos registados logo após a abertura, os juros chegaram a aliviar ao final da manhã.

No prazo a 10 anos, que é a referência para os mercados, a taxa, que chegou a ultrapassar os 8%, rondava os 7,5% pouco depois das 11 da manhã. Mas a meio da sessão, a taxa rondava os 7,96%, aproximando-se novamente da barreira dos 8%.

Também no prazo a 5 anos, onde a taxa chegou a ultrapassar os 7,2%, antes de recuar para os 6,8%, volta agora aos 7,16%. As obrigações a 2 anos, que revelam a maior subida, estão agora a pagar uma taxa de 5,9%.

Os mercados temem que, com a queda do Governo e eleições antecipadas, a oitava avaliação da troika não seja fechada e se prolongue por meses, atrasando o desembolso das próximas tranches da ajuda externa.

O cenário está a fazer disparar os juros da dívida pública no mercado secundário que, no prazo a 10 anos, ultrapassaram esta manhã os 8%. A escalada dos juros no mercado secundário não tem qualquer custo acrescido para a dívida pública, mas mostra que o Governo terá de pagar taxas muito mais altas do que as que tem conseguido nos últimos meses, se quiser emitir dívida no mercado primário.

Um recuo face à confiança que os mercados vinham demonstrando em Portugal, e que era visível no sucesso conseguido na colocação recente de dívida a 5 e 10 anos. Com esta alteração, parece arrepiar-se o caminho do regresso aos mercados, que era esperado para o próximo ano e que pode estar agora comprometido, obrigando o país a pedir um segundo resgate.

Banca lidera derrocada na bolsa

Na bolsa de Lisboa, o cenário continua a ser negro, mas já foi ainda pior. Depois e ter chegado a perder 7,2%, o PSI20 recua agora 5,6% para 5.220,89 pontos, a maior descida da Europa.

A banca continua a ser a mais castigada. O Banif, que chegou a cair 43%, recua agora 11,96% para 8 cêntimos. Pior só o BCP, que desce 12,9% para os mesmos 8 cêntimos por ação.

No mesmo setor, o BPI afunda 11,4% para menos de 80 cêntimos e o BES desce 10,6% para menos de 55 cêntimos.

Com todas as empresas do índice em forte queda, destacam-se ainda as descidas acentuadas dos pesos pesados da energia e comunicações: a EDP a perder 6,94% para 2,29 euros e a PT a recuar 4,62% para 2,79 euros.

No resto da Europa, os efeitos da crise política nacional também se fazem sentir: todos os mercados seguem no vermelho e os juros da dívida dos países periféricos estão em alta. A vizinha Espanha é a mais contagiada. Madrid segue a perder mais de 3%.