A agência de notação financeira Moody's colocou esta quinta-feira o rating do Caixabank sob vigilância negativa e o do BPI em vigilância positiva, devido à intenção do banco catalão de lançar uma OPA sobre o banco português, noticia a Lusa.

Na terça-feira, o Caixabank (maior acionista do BPI com 44,1% do banco português) anunciou a intenção de lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre os restantes 55,9% do capital do BPI, sujeitando a operação a duas condições: conseguir pelo menos 50,01% do capital e o levantamento da atual restrição estatutária sobre os direitos de voto (o acionista catalão apenas tem 20% numa votação).

Isso significa que a Moody's poderá baixar o rating do banco catalão em várias áreas (dívida de longo e curto prazo, depósitos ou dívida subordinada) caso a OPA avance, o que se prevê que possa acontecer até ao final do segundo trimestre.

«A colocação em vigilância negativa deve-se ao anúncio da intenção de lançar uma oferta sobre o capital ainda não detido do BPI (55,9%), e o impacto negativo que o negócio vai ter sobre a solvência do Caixabank. A vigilância positiva para o BPI deve-se a uma pressão em alta que pode vir a ser causada pela aquisição por um banco mais forte», indica a agência de notação em comunicado.

A Moody´s acrescenta que, «dependendo do nível de aceitação da oferta» sobre o capital do BPI, o efeito sobre a solvência do Caixabank poderá variar entre «os 80 e os 140 pontos base no rácio Fully loaded Common Equity Tier 1 (FL CET1)», o que baixaria o rácio do banco catalão para níveis abaixo da média dos seus congéneres europeus.

No próprio dia em que anunciou a intenção de lançar a OPA, o Caixabank garantiu que voltaria a colocar o rácio Fully loaded Common Equity Tier 1 (FL CET1) acima dos 11% (a média dos pares europeus) após a aquisição.

A agência de notação escreve ainda que, durante a sua revisão do rating, «vai focar-se na capacidade de o Caixabank voltar a recuperar a sua solvência e capacidade de absorção de risco».

Por outro lado, a Moody's considera que o impacto da eventual OPA na qualidade dos ativos do banco catalão e na eficiência de custos será «limitado e gerível», devido à diferença de tamanhos entre o BPI e o CaixaBank (42,6 mil milhões de euros em ativos do banco português contra 339 mil milhões dos catalães).