O administrador da Terra Peregrin, empresa detida pela empresária angolana Isabel dos Santos, disse esta quinta-feira que não vai mexer no preço da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada sobre a PT SGPS, que é de 1,35 euros por ação.

«Não estamos disponíveis para mexer no valor da oferta», afirmou Mário Silva, citado pela Lusa, reforçando: «Eu não vou mexer no preço, ponto final, parágrafo».

Num encontro com jornalistas, Mário Silva centrou-se no preço da OPA lançada sobre a PT SGPS, um valor que tem sido questionado, já que neste tipo de operações o valor da oferta deve ter em conta o preço médio da ação nos últimos seis meses, o que não sucede neste caso, já que toma em conta a evolução da cotação a partir de 17 de outubro, altura em que o Tribunal de Comércio luxemburguês determinou a insolvência da Rioforte.

O administrador procurou mostrar que a oferta «é justa e equitativa» e que «os acontecimentos [dos últimos meses relativos ao crédito de 897 milhões de euros da Rioforte, do Grupo Espírito Santo] foram de tal forma dramáticos e pesados que alteram de forma muito substancial as circunstâncias do mercado, o que impossibilita por completo que o preço da oferta possa ser a média dos últimos seis meses».

«Não podemos esquecer tudo o que aconteceu os últimos seis meses e que foi muito e teve um impacto muito grande no valor da PT SGPS», disse Mário Silva, que explicou que o prémio médio da oferta é 33%, tendo em conta a demonstração de sete metodologias.

O administrador explicou que o valor da oferta devia estar indexado em reais, já que a Terra Peregrin irá deter, caso a OPA avance com sucesso, uma participação «relevante, ainda que minoritária, mas não de controlo» na operadora brasileira Oi.

Apontou que tendo em conta a cotação da Oi na Bolsa de Valores de São Paulo na quarta-feira, que encerrou nos 1,36 reais, a contrapartida oferecida pela Terra Peregrin é de «dois reais por ação».

Mário Silva salientou que se hoje a Oi fizesse um aumento da capital, este «seria feito a um valor muito inferior a 05 de maio», quando o título foi valorizado em 2,17 reais.

A 09 de novembro, a Terra Peregrin anunciou a sua intenção de comprar a PT SGPS, oferecendo mais de 1,21 mil milhões de euros pela totalidade das ações da empresa portuguesa, ao preço de 1,35 euros por ação.

A oferta é destinada a 100% do capital da PT SGPS, a qual detém 25,6% da operadora brasileira Oi, enquanto esta detém 10% da PT SGPS.