A NOS mudou o paradigma nas telecoms em Portugal com a compra dos direitos de transmissão dos jogos do Benfica por 400 milhões de euros (ME), dando o tiro de partida a uma corrida por conteúdos exclusivos, segundo analistas, que alertam, contudo, que a aposta é arriscada.

"É uma decisão surpreendente da NOS que dá o pontapé de saída para um novo paradigma do mercado português", afirmou o BPI, citado pela Reuters. "Os custos associados aos direitos implicam uma inflação material ao standard anterior".

A NOS garantiu os direitos de transmissão televisiva dos jogos do Benfica, no Estádio da Luz, na Primeira Liga, bem como direitos de transmissão e distribuição do Canal Benfica TV.

O contrato inicia na época 2016-2017, com uma duração inicial de três anos, podendo ser renovado até um total de 10 épocas desportivas.

O BPI assume uma posição cautelosa, realçando que, se os conteúdos forem transmitidos em exclusivo, isso acionará uma corrida por conteúdos e elevará os preços, penalizando o sector.

Frisou que a operação transfere valor dos operadores de telecoms para produtores de conteúdos, como clubes de futebol.

"Para a NOS, reduz as perspetivas de melhoria de 'cash flow' que toda a gente esperava e deverá levar a uma reação negativa nos mercados," adiantou o BPI.

A equipa de analistas da Jefferies disse que a NOS subiu a parada, seguindo o "caminho relutante" dos conteúdos exclusivos.

Até aqui, o mercado português era pautado por uma ausência de conteúdos exclusivos, o que era bem vindo, segundo a Jefferies, dada a intensidade de 'opex' que exige.

"A decisão pode ter 'upside', mas vai apenas aumentar a pressão para a NOS continuar a sua execução sem falhas", referiu, adiantando que estará atenta às respostas da PT e da Vodafone.

"É uma quebra importante do 'status quo'. A decisão constitui uma antecipação para alavancar conteúdos exclusivos como fonte de vantagem comparativa", afirmou a Jefferies.

A agressiva concorrência em Portugal pressiona os operadores a seguir o caminho dos conteúdos, segundo o banco de investimento.

A Benfica TV tem cerca de 300.000 subscritores, 120.000 dos quais através de pacotes da NOS, e gera entre 35 e 40 ME de receitas por ano.

"Vemos 'upside' para a NOS se negar aos seus rivais o conteúdo - há 180.000 utilizadores da Benfica TV cujo pacote de 'triple' ou 'quadruple play' é de outros operadores, uma fonte óbvia de crescimento de quota para a NOS", afirmou a Jefferies.

"A estratégia tem obviamente riscos, os custos anuais representam 3 pontos percentuais da margem EBITDA e a NOS tem de o compensar com a execução da estratégia. Subiu a parada", concluiu.

As ações da NOS SGPS seguiam a perder 1,2% para 7,36 euros. Os títulos da Benfica SAD avançavam 11,2% para 1,49 euros.