A agência de notação financeira Moody's diz que um falhanço nas negociações para aumentar o teto da dívida nos EUA obrigaria a um corte de 20% na despesa, o que teria implicações mais graves do que a atual paralisação que o Governo norte-americano atravessa, porque daria aos investidores a perceção de que os riscos de bancarrota aumentaram.

Num relatório conhecido esta quarta-feira, a Moody's afirma que «um falhanço no aumento do limite da dívida federal teria um efeito mais adverso nos mercados financeiros e na economia que uma paralisação governamental porque os agentes do mercado teriam a perceção de um aumento da probabilidade de haver um default soberano».

O documento considera que a paralisação das agências federais não afeta o pagamento das dívidas contraídas nos mercados financeiros e, por isso, não causa grande alarme entre os investidores. Mas um falhanço nas negociações para aumentar o teto da dívida, isto é, o montante disponível para pagar os juros da dívida que os Estados unidos contraíram nos mercados financeiros internacionais para financiar a sua atividade, é bem mais grave.

«O Tesouro não pode aumentar a dívida para além de 16,7 biliões de dólares a não ser que o Congresso aumente esse limite. Se a permissão para contrair financiamento não for aumentada, toda a despesa governamental estará limitada ao montante das receitas», o que cria um desfasamento entre a receita e a despesa assumida que pode chegar aos 20%, segundo as contas da Moody's.

Ainda que a redução da despesa seja menor caso não seja aumentado o teto da dívida do que na paralisação dos serviços federais, «a perceção de que o Governo norte-americano podia entrar em incumprimento no pagamento da dívida pode agitar os mercados financeiros e prejudicar a confiança dos investidores e dos consumidores», escreve a Moody's.

De acordo com os dados oficiais citados pela agência de notação financeira, «os impostos e outras receitas orçamentais terão financiado cerca de 81% no ano orçamental de 2013 e vão financiar 84% da despesa no ano orçamental de 2014, que começou a 1 de outubro deste ano, sendo que os empréstimos financiam o restante».

A falharem as negociações, «o Governo teria de reduzir a despesa total num valor de 15 a 20%, um montante que provavelmente arrastaria a economia». A Moody's acredita que o Governo continuaria a pagar os juros dos empréstimos, mas teria de fazer «escolhas dolorosas sobre quais as despesas a cortar, e não há um precedente histórico que forneça confiança [aos investidores] de que os juros nos pagamentos teriam prioridade sobre a outra despesa».

Os pagamentos em outubro dos empréstimos contraídos para financiar a atividade do executivo norte-americano são relativamente baixos, mas a 15 de novembro «o Tesouro terá de pagar juros no valor de 16 mil milhões de dólares, o que equivale a 6% das receitas orçamentais mensais médias no ano orçamental de 2014».