O lucro líquido da EDP-Energias de Portugal teve uma queda homóloga de 4% nos primeiros nove meses de 2015, mas saiu muito acima do previsto com uma forte melhoria operacional, apesar da subida dos custos financeiros, anunciou a EDP.

O maior grupo industrial português divulgou um lucro líquido consolidado de 736 milhões de euros (ME) entre Janeiro e Setembro de 2015, contra os 685 ME estimados em média numa poll de analistas consultados pela Reuters.

O EBITDA (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) teve um crescimento de 10% para 2.991 ME versus 2.889 ME previstos pelos analistas.

Adiantou que a dívida líquida se situou em 17.321 ME em Setembro de 2015, um acréscimo de 2% face a Dezembro de 2014.

Afirmou que os custos financeiros líquidos subiram 38% para 626 ME nos nove meses de 2015, "influenciados pelo impacto da apreciação do dólar face ao euro e face ao Real Brasileiro e pela atualização de valor de mercado das posições cambiais e da participação no capital do Millennium bcp".

"O resultado líquido atribuível a acionistas da EDP recuou 4% (...) impactado pelos resultados financeiros", referiu a EDP.

A subsidiária EDP Renováveis (EDPR) já tinha anunciado que o seu lucro tinha disparado 88% para 100 ME nos nove meses de 2015, mais do que esperado, devido a ganhos não recorrentes, com a performance operacional a ficar em linha com as previsões.

Nos nove meses, a EDPR teve ganhos de 102 ME com a aquisição do controlo de certos ativos da ENEOP e de 65 ME de abates após otimização da carteira de projetos em desenvolvimento e priorização em regiões com fundamentos de negócio sólidos.

O lucro líquido da unidade brasileira EDP-Energias do Brasil recuou 61,3% no terceiro trimestre de 2015, ante o mesmo período do ano passado, para 55,3 milhões de reais (MR), devido ao resultado financeiro negativo.

Contudo, nos nove meses de 2015, a EDP-Energias do Brasil viu o lucro líquido crescer 107% para 882,9 MR, beneficiando de um aumento de 92% do EBITDA para 2.217 MR.

A EDP explicou que a subida homóloga do EBITDA do grupo nos nove meses de 2015 beneficiou de 295 ME decorrente da compra a desconto de 50% de Pecém I no segundo trimestre, mais 89 ME da venda de ativos de gás em Espanha no primeiro semestre e mais 40 ME ao nível da EDPR no terceiro trimestre.

Em 2014, o EBITDA tinha beneficiado de mais 131 ME com a venda de 50% de Jari/ Cachoeira-Caldeirão e mais 129 ME resultante do novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) em Portugal.

"Excluindo estes efeitos, o EBITDA ajustado subiu 5% para 2.567 ME, refletindo o aumento de capacidade eólica, melhoria de performance da EDP Brasil no terceiro trimestre de 2015 e a baixa produção renovável nos nossos principais mercados, nomeadamente hídrica (...) e eólica", referiu.

Em Portugal, a hidraulicidade fixou-se 22% abaixo da média histórica e no Brasil verificou-se um défice hídrico de 18%, enquanto a eólica se situou 3% abaixo da média histórica.

Explicou que, o mercado Ibérico, o EBITDA caiu 8%, para 1.554 ME nos nove meses de 2015, "reflexo da fraca hidraulicidade, menor volatilidade de preços, queda de preços e volumes no mercado grossista de gás e menor impacto positivo de resultados não recorrentes".

As ações da EDP fecharam a sessão a valorizar 0,59% para 3,35 euros.