Os juros da dívida pública voltaram a disparar no mercado secundário, à medida que se arrasta a instabilidade política, e depois de o país ter solicitado à troika o adiamento da 8ª avaliação do programa de ajustamento.

Os investidores revelam preocupação que o Governo não consiga aplicar as medidas acordadas com os credores internacionais, especialmente as relacionadas com a reforma do Estado e o corte de 4,7 mil milhões de euros na despesa, medidas essas que deveriam ser detalhadas nesta próxima avaliação, explicou o analista da RIA Capital Markets, Nick Stamenkovic, à Reuters.

A taxa de juro das Obrigações do Tesouro a dez anos estão a disparar 64 pontos base para 7,527%. Esta taxa está já acima do valor a que fechou no dia seguinte à demissão de Paulo Portas.

No prazo a cinco anos, a taxa regista uma subida de 94 pontos base para 7,492%.

Mas é nas obrigações a dois anos que a taxa mais sobe: 123 pontos base para 7,107%.

Também o custo dos credit default swaps (CDS), uma espécie de seguro da dívida portuguesa contra uma eventual bancarrota, dispararam.

De acordo com a informação da Markit, no caso dos CDS a cinco anos, o custo subiu 53 pontos base para 5,42%. Mas a empresa que monitoriza o mercado dos CDS explicou, citada pela Reuters, que esta variação estava a ser ampliada pela fraca liquidez.

De acordo com estes novos dados, custa atualmente 542 mil dólares para segurar cada 10 milhões de dívida portuguesa.