Os juros da dívida portuguesa estavam hoje a cair a dois anos e a subir a cinco e dez anos, em relação a terça-feira.

Segundo a Lusa, os juros da dívida portuguesa a dez anos estavam a subir para 1,704%, contra 1,631% na terça-feira e o mínimo de sempre, de 1,560%, a 13 de março.

Os juros a cinco anos também estavam a subir, para 0,943%, contra 0,893% na terça-feira e o mínimo de sempre de 0,823% a 12 de março.

Em sentido contrário, os juros a dois anos estavam a recuar para 0,120%, contra 0,127% na terça-feira e o mínimo de sempre de 0,092% a 16 de março.

A 09 de março passado, o Banco Central Europeu (BCE) arrancou com um programa sem precedentes de compra de dívidas soberanas e privadas, que vai permitir injetar 60 mil milhões de euros por mês, até, pelo menos, setembro de 2016, na economia da zona euro na esperança de a redinamizar.

O objetivo desta operação, denominada Quantitative Easing (QE), é criar um círculo virtuoso para a Economia: sob o efeito de uma forte procura as taxas de juro das obrigações deverão descer, forçando os bancos a aplicar o dinheiro noutros sítios, designadamente a conceder crédito às empresas e aos consumidores.

Para os mercados, o QE marca uma mudança histórica da política monetária do BCE.

Os bancos centrais nacionais, como o Bundesbank ou o Banco de Portugal, entre os outros dos Estados-membros, serão os principais executantes do QE, já que está previsto que façam 92% das compras.

Os efeitos do programa fizeram sentir-se por antecipação há várias semanas nas taxas de juro das dívidas soberanas, que evoluem em sentido inverso ao da procura e têm renovado mínimos diariamente. Algumas das taxas tornaram-se negativas nos prazos mais curtos, ou seja, os investidores estão dispostos a pagar para deter estes títulos considerados muito seguros.

A 17 de maio de 2014, Portugal abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar.

O programa de ajustamento solicitado por Portugal à troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam a subir a cinco e dez anos, bem como os de Itália e de Espanha que estavam a subir em todos os prazos.

Em relação aos juros da Grécia, estes estavam a subir cinco e dez anos, para valores em torno dos 15,7% e de 10,8%, respetivamente.