O índice acionista PSI20 avança 1,02%, com apoio da NOS e de uma recuperação do BCP, e acompanha as pares europeias animadas pelos comentários de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), numa sessão em que as 'yields' da dívida portuguesas descem.

"Os mercados estão a reagir positivamente ao sinal dado por Mario Draghi sobre novos estímulos, que poderá não ser somente um reforço do Quantitative Easing mas também uma descida nas taxas de juro," disse Albino Oliveira, analista da Fincor.

O índice Eurofirst300, que agrega as 300 maiores cotadas da Europa, sobe 0,9%, com Paris e Frankfurt a valorizarem 1,3%.

O BCE manteve ontem as taxas de juro inalteradas, mas Draghi afirmou que o Conselho de Governadores discutiu um novo corte nas taxas de depósito, para terreno mais negativo, e irá rever a política monetária em Dezembro, aumentando as expectativas de um alargamento do atual programa de estímulos.

A taxa das Obrigações do Tesouro (OT) portuguesas a 10 anos cai 7 pontos base (pb) para 2,331%, perto de mínimos de maio. O valor mais baixo do dia foi registado esta manhã nos 2,262%.

"Penso que o sentimento nos mercados tem mais a ver com o efeito do BCE, do enquadramento externo, do que a situação política interna," disse o analista da Fincor, citado pela Reuters.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, indigitou ontem o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para liderar um novo Governo, alertando que uma solução alternativa de esquerda liderada pelos socialistas teria consequências financeiras e económicas graves.

"O discurso do Presidente da República deixa a situação na mesma, está tão confusa como antes e a incerteza vai continuar, pois o novo Governo pode cair," frisou Albino Oliveira.

"Vamos ver o que acontece agora no Parlamento, se os deputados rejeitarem o programa do Governo isso deverá prolongar a incerteza, mas se for aprovado poderá levar a uma estabilização da situação," adiantou.

O novo Governo tem 10 dias para apresentar o seu programa no Parlamento, e a escolha de Passos Coelho já foi criticada pelos partidos à esquerda no Parlamento, que têm a maioria dos deputados na Assembleia da República.

A Comissão Política do Partido Socialista mandatou o secretário-geral, António Costa, para apresentar uma moção de rejeição ao programa do novo Governo, e concluir um acordo com o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda.