Os juros da dívida de Portugal estavam esta terça-feira a subir a dois, cinco e dez anos, alinhados com os da Irlanda, Itália e Espanha, fortemente pressionados pela crise na Grécia.

De acordo com a Lusa, os juros da Grécia a dois e dez anos estavam hoje, cerca das 09:10 em Lisboa, a subir para 38,699% e 15,298%, respetivamente.

Já os juros da dívida portuguesa a dez anos estavam a subir para 3,116%, contra 3,083% na segunda-feira e depois de terem subido até aos 3,253% a 15 de junho, um máximo desde meados de outubro. O atual mínimo de sempre é de 1,560% e foi registado a 13 de março passado.

No mesmo sentido, os juros a cinco anos estavam a subir, para 1,773%, contra 1,710% na segunda-feira, depois de terem subido a 16 de junho até aos 1,927%, um máximo desde meados de outubro de 2014, e descido para o mínimo de sempre, de 0,749%, a 10 de abril.

Os juros a dois anos também estavam a subir para 0,121%, contra 0,114% na segunda-feira, mas abaixo do máximo dos últimos seis meses, de 0,506%, registado a 7 de janeiro.

O atual mínimo de sempre dos juros a dois anos, de 0,013%, foi atingido a 13 de abril passado.

Os juros das dívidas soberanas europeias estão a ser pressionados para a alta devido à ausência de acordo entre a Grécia e os credores internacionais, que pode desencadear a saída de Atenas da zona euro, e mais do que anular o programa de estímulos em curso do Banco Central Europeu.

Depois de ter iniciado a 09 de março passado um programa inédito de compra de dívidas soberanas e privadas, que vai permitir a injeção de 60 mil milhões de euros por mês, até, pelo menos, setembro de 2016, na economia da zona euro, na esperança de a redinamizar, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juro inalteradas em mínimos na última reunião de política monetária de 03 de junho.

Uma eventual saída da Grécia da zona euro pode afetar negativamente Portugal, que a 17 de maio de 2014 abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar.

O programa de ajustamento pedido por Portugal à troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

Hoje, os juros da dívida soberana da Irlanda estavam a subir em todos os prazos, bem como os de Itália e de Espanha.