A yield das obrigações portuguesas a 10 anos segue em ligeira alta, numa sessão em que as pares espanholas e italianas recuam, com os investidores a aguardarem o resultado de reuniões entre a Grécia e os parceiros europeus para obter um acordo de última hora e evitar a saída de Atenas da moeda única.

A taxa das Obrigações do Tesouro benchmark sobe 1 ponto base (pb) para 3,19%, enquanto a equivalente italiana cai 7 pontos base para 2,30% e a espanhola 4% para 2,32%.

"Por enquanto, o mercado parece ainda ter em conta os comentários da Ministra das Finanças portuguesa que os cofres (do país) estão cheios," disse Alfredo Mendes, operador Banco Best, à Reuters.


Frisou que o Quantitative Easing, o agressivo programa de compra de dívida de soberana pelo Banco Central Europeu, "estará já a focar mais em Portugal e Itália nestes dias, para conter o contágio".

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, deverá hoje apresentar novas propostas de reformas numa cimeira de emergência dos líderes da zona euro às 1700 horas locais, vista como uma última hipótese de desbloquear novo financiamento.

Antes disso, já começou uma reunião dos ministros das finanças da zona euro, com a primeira presença do novo ministro grego, Euclid Tsakalotos, que substitui o polémico Yanis Varoufakis.

Jeroen Dijsselbloem, o presidente do Eurogrupo disse à entrada da reunião que ainda não que viu as propostas gregas.

Segundo analistas, a calma no mercados sinaliza que os investidores vêem o risco do contágio do eventual Grexit, uma saída da Grécia do euro, como contido, ou que estão positivos quanto a um acordo.

"Nesta fase, é difícil dizer se esta reação soft é porque o mercado não está muito preocupado com um Grexit, ou porque as notícias ao longo do dia levam a crer que um compromisso deverá, a certa altura, aparecer," disse Peter Schaffrik estrategista no RBC.

O vice-Chanceler alemão Sigmar Gabriel disse que a Europa poderá discutir um eventual corte da pesada dívida grega se o governo helénico mostrar que está a implementar reformas económicas.

O Ministro da Finanças germânico Wolfgang Schaeuble, alertou, no entanto, que um perdão da dívida não é compatível com as regras dos resgates europeus.

A pressão doméstica começa a subir nos principais países europeus, com alguns jornais e parlamentares alemães a afirmarem que o euro ficaria melhor sem a Grécia, e uma sondagem a revelar que metade dos franceses querem que Atenas deixe a União Monetária.

A taxa alemã a 10 anos, visto como referência principal da dívida europeia, cai 10 pontos base para 0,67%.
Em sentido contrário, a equivalente grega agrava 28 pontos base para 18,38%.