Os juros da dívida portuguesa estavam esta sexta-feira a subir a dois e cinco anos e a descer a dez anos, depois de o Governo ter apresentado novas medidas de austeridade para compensar as chumbadas pelo Tribunal Constitucional.

Os juros a 10 anos estavam a 3,341%, depois de terem terminado a 3,348% na quinta-feira e de terem descido até aos 3,323% a 11 de junho, um mínimo desde outubro de 2005.

No prazo a cinco anos, os juros estavam a subir para 2,187%, contra 2,184% no encerramento de quinta-feira e o mínimo de sempre de 2,102% a 09 de junho.

No prazo de dois anos, os juros da dívida também estavam a subir para 0,887%, depois de terem fechado a 0,884% na quinta-feira, um novo mínimo de sempre.

Além de novas medidas de austeridade para compensar as recentemente chumbadas pelo TC, o Governo anunciou na quinta-feira que prescindiu do último cheque do empréstimo da troika.

Na quinta-feira, o Governo aprovou uma proposta de lei para reintroduzir temporariamente os cortes entre 3,5% e 10% aplicados aos salários do setor público superiores a 1.500 euros introduzidos em 2011 e que vigoraram até 2013.

Estes cortes progressivos nos salários do setor público foram introduzidos pelo anterior executivo do PS através do Orçamento do Estado para 2011 e mantidos pelo atual Governo PSD/CDS-PP até ao ano passado.

No Orçamento do Estado para 2014, o Governo substituiu-os por cortes entre 2,5% e 10% aplicados aos salários do setor público a partir dos 675 euros - que no dia 30 de maio foram declarados inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional.

Entretanto, Portugal colocou na quarta-feira 975 milhões de euros em Obrigações de Tesouro (OT) a dez anos à taxa de juro média de 3,2524%, menos 0,3228 pontos percentuais do que no anterior leilão comparável de abril.

O montante colocado neste primeiro leilão desde a saída da troika foi, assim, superior aos 750 milhões de euros que correspondiam ao montante máximo indicativo e a procura atingiu 2.372 milhões de euros, 2,43 vezes superior ao montante colocado.

A 05 de junho, o Banco Central Europeu (BCE) cortou a taxa de juro diretora em 0,10 pontos percentuais para o novo mínimo histórico de 0,15% e anunciou a realização de duas injeções de liquidez de longo prazo (quatro anos), em setembro e dezembro deste ano, no valor de 400 mil milhões de euros.

Há quase um mês, a 17 de maio, Portugal abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar, depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter anunciado a «saída limpa» a 04 de maio.

O programa de ajustamento solicitado à troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam hoje a descer a dois e cinco anos e a subir a dez anos. Dublin terminou oficialmente, a 15 de dezembro passado, o programa de ajustamento solicitado em 2010 à troika, no valor de 85 mil milhões de euros.

Os juros de Itália e de Espanha estavam a descer em todos os prazos.

Os juros da dívida da Grécia a 10 anos, o único prazo disponível daquele país, também estavam a descer.