Os juros da dívida portuguesa estavam esta quarta-feira a descer em todos os prazos, num dia em que Portugal regressa aos mercados para captar entre 1.000 e 1.250 milhões de euros a três meses e a um ano.

Os juros a 10 anos estavam a 3,463%, depois de terem terminado a 3,464% na terça-feira e de terem descido até aos 3,323% a 11 de junho, um mínimo desde outubro de 2005.

No prazo a cinco anos, os juros estavam a descer para 2,285%, contra 2,294% no encerramento de terça-feira e o mínimo de sempre de 2,102% a 09 de junho.

A dois anos, os juros da dívida também estavam a descer para 0,907%, depois de terem fechado a 0,913% na terça-feira e de terem descido até 0,884% a 12 de junho, um mínimo histórico.

Hoje, a agência que gere a dívida portuguesa realiza dois leilões das linhas de Bilhetes de Tesouro com maturidades de três meses e um ano, procurando encaixar entre 1.000 milhões de euros e 1.250 milhões de euros.

Nos últimos leilões com prazos idênticos aos das operações de hoje, realizados a 21 de maio, Portugal colocou 1.000 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 12 meses à taxa de 0,617% (superior à de 0,597% paga no anterior leilão para esta maturidade em abril), e 250 milhões de euros a três meses à taxa de 0,432% (inferior à de 0,462% do anterior leilão para esta maturidade realizado em fevereiro).

Além de novas medidas de austeridade para compensar as recentemente chumbadas pelo Tribunal Constitucional (TC), o Governo anunciou na última quinta-feira que prescindiu do último cheque do empréstimo da troika.

Na quinta-feira, o Governo aprovou uma proposta de lei para reintroduzir temporariamente os cortes entre 3,5% e 10% aplicados aos salários do setor público superiores a 1.500 euros introduzidos em 2011 e que vigoraram até 2013.

A 17 de maio, Portugal abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar, depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter anunciado a «saída limpa» a 04 de maio.

O programa de ajustamento solicitado à troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

A 05 de junho, o Banco Central Europeu (BCE) cortou a taxa de juro diretora em 0,10 pontos percentuais para o novo mínimo histórico de 0,15% e anunciou a realização de duas injeções de liquidez de longo prazo (quatro anos), em setembro e dezembro deste ano, no valor de 400 mil milhões de euros.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam hoje a descer a dois anos e a subir a cinco e dez anos. Dublin terminou oficialmente, a 15 de dezembro passado, o programa de ajustamento solicitado em 2010 à troika, no valor de 85 mil milhões de euros.

Os juros de Itália estavam a descer a dois e dez anos e a subir a cinco anos, enquanto os de Espanha estavam a subir a dois e cinco anos e a descer a dez anos.

Os juros da dívida da Grécia a 10 anos, o único prazo disponível daquele país, estavam a subir.