A Terra Peregrin de Isabel dos Santos retirou a Oferta Pública de Aquisição (OPA) de 1.200 milhões de euros (ME) sobre a PT SGPS, que visava travar a venda dos ativos portugueses de telecoms da PT Portugal, recusando subir o preço inicial oferecido de 1,35 euros por cada ação da PT.

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tinha deliberado que a empresária angolana terá de subir a atual contrapartida de 1,35 euros oferecida na OPA sobre as ações da PT SGPS, após ter rejeitado a derrogação de utilização da média ponderada dos últimos seis meses na fixação do preço.

Esta média ponderada é superior ao preço inicial de 1,35 euros oferecido, tendo a Terra Peregrin de Isabel dos Santos vindo a reiterar que não está disponível para rever o preço pois este é justo, visto que a recente falência da Rioforte afetou consideravelmente as perspetivas da PT SGPS recuperar uma dívida de 900 ME.

«Uma vez que a decisão da CMVM de não deferimento do pedido de derrogação implica a não verificação de uma condição de lançamento da Oferta, a Oferente, decide, após cuidada ponderação, retirar a Oferta», referiu a Terra Peregrin em comunicado, citado pela Reuters.

Adiantou que, «embora respeite naturalmente a decisão da CMVM, a Oferente gostaria de salientar que quando apresentou o seu pedido de derrogação do dever de lançamento de oferta pública subsequente, o fez convicta de que o mesmo seria aceite, atendendo aos argumentos e fundamentos apresentados pela Oferente, todos eles, no seu entendimento, com cabimento legal».

Isabel dos Santos lançou esta OPA para travar a venda dos ativos de telecoms portugueses à francesa Altice.

A PT SGPS tem 25,6% da Oi que, por seu turno, é dona da totalidade da PT Portugal, cujos ativos portugueses a telecom brasileira já acordou vender à Altice por 7.400 ME, embora esta alienação esteja condicionada ao OK dos acionistas da PT SGPS, que se reunirão em Assembleia Geral a 12 de Janeiro para deliberar.

O conselho de Administração da PT SGPS tem dito que o preço de 1,35 euros por acção oferecido pela empresária angolana Isabel dos Santos na OPA sobre a PT SGPS não reflete o valor intrínseco da empresa, incluindo as potenciais sinergias de uma consolidação da Oi no Brasil.

A Oi acordou vender os ativos de telecoms portugueses da PT Portugal à francesa Altice por 7.400 milhões de euros (ME), embora a venda esteja condicionada à aprovação dos acionistas da PT SGPS em Assembleia Geral, que se reunirá a 12 de Janeiro.

A Terra Peregrin referiu, na segunda-feira passada, que quer capitalizar e dar músculo financeiro à endividada Oi para ter um melhor rácio de troca num M&A no Brasil, estando disposta a considerar um aumento de capital da brasileira e um IPO parcial da PT Portugal.

As ações da PT fecharam a subir 1,82% para 1,006 euros.A Terra Peregrin, da empresária angolana Isabel dos Santos, anunciou esta terça-feira que «após cuidada ponderação» decidiu «retirar a oferta» sobre a PT SGPS, depois do regulador CMVM não ter deferido o pedido de derrogação (dispensa) de uma OPA subsequente.