A angolana Unitel, que tem 49,9% do Banco Fomento de Angola (BFA), rejeita de forma "final e decisiva" a proposta do BPI, para fazer a cisão dos seus ativos bancários em Angola, tendo contra-proposto comprar mais 10% do BFA por 140 milhões de euros, anunciou o BPI em comunicado enviado à CMVM.

O BPI tem uma posição de controlo de 50,1% no BFA, mas devido ao acordo parasocial, a parceira Unitel tem poder de veto.

A empresaria angolana Isabel dos Santos, que tem 25% da Unitel, e é também a segunda maior acionista do BPI com uma participação de 18,9%, votou contra a proposta do do banco português de avançar com a cisão dos ativos africanos.

Em 2015, Isabel dos Santos usou essa participação no BPI para travar a OPA do espanhol Caixabank,  o maior acionista do banco com 44,1%.

"Afirmamos, para o efeito, uma proposta firme para a compra e venda e para a revisão do acordo parassocial, a qual é válida até ao final do mês de Janeiro de 2016," referiu a Unitel, em carta dirigida ao BPI.

O BPI disse na semana passada que vai avançar com a proposta de cisão dos ativos africanos para resolver o problema da exposição a grandes riscos, apesar da oposição da Santoro de Isabel dos Santos, e da Unitel, que é a maior operadora de telecomunicações em Angola.

A Unitel recordou na carta, datada de 31 de Dezembro e publicada este domingo no site da CMVM pelo BPI, que a 14 e 26 de Outubro confirmou a sua posição de oposição da cisão simples proposta pelo banco português.

Adiantou que, em reunião em Londres, apresentou três propostas alternativas:a compra pela Unitel de uma participação adicional no BFA, com revisão do acordo parassocial, uma cisão 'económica', evitando a criação de uma 'NewCo' como sociedade aberta pois esta enfrentaria entraves na CMVM, e um 'IPO' do BFA com dispersão de 30% do capital em bolsa.

Frisou que a primeira opção foi rejeitada pelo BPI, a segunda, por vontade do BPI, foi substituída por uma cisão simples que o banco português acreditava seria aprovada pela CMVM, enquanto a terceira foi abandonada pelo BPI por falta de tempo para implementação.