Os investidores vão estar nesta última semana de agosto atentos à divulgação de indicadores macroeconómicos e emissões de dívida pública, com os dados que mais podem mexer com o sentimento de mercado a serem conhecidos na quinta-feira.

O analista de mercados do Millennium investment banking Ramiro Loureiro destaca o expectável recuo da taxa de inflação homóloga em Espanha e na Alemanha em agosto, o que, «gerando menos pressões inflacionistas para o conjunto da zona euro, dá conforto ao Banco Central Europeu [BCE] para manter a política acomodatícia (juros baixos) por mais algum tempo (enquanto a inflação na região estiver abaixo dos 2%), de forma a estimular o crescimento económico».

Ainda na quinta-feira, os analistas antecipam a confirmação do oitavo trimestre consecutivo de contração de economia espanhola, ainda que os 0,1% de quebra no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre mostrem uma desaceleração do ritmo de queda.

Em Portugal, no mesmo dia, são conhecidos os indicadores de confiança e de clima económico, enquanto, nos Estados Unidos, são divulgados os habituais dados de evolução semanal dos pedidos de subsídio de desemprego e a segunda estimativa do PIB norte-americano no segundo trimestre (esperada variação trimestral de 2,2%), acrescenta o analista de mercados.

A semana começa com a divulgação na segunda-feira dos números de encomendas de bens duradouros nos EUA em julho, com o mercado a antecipar uma queda de 3,6%, que pode ser justificada por uma descida nas encomendas de aviões, após o pico de junho.

Na terça-feira, na Europa o indicador de sentimento empresarial alemão IFO deve revelar melhoria em agosto e, nos EUA, o índice de preços de casas S&P CaseShiller deve mostrar subida homóloga de 11,9% em junho. O mercado antecipa ainda a divulgação de uma diminuição da confiança dos consumidores norte americanos em agosto (indicador medido pelo Conference Board a descer de 80,3 para 79,3).

O instituto Gfk publica na quarta-feira o índice de confiança dos consumidores alemães, antevendo-se a projeção de uma queda em setembro. Em solo norte-americano prevê-se uma subida de 0,1% do número de contratos para comprar casas usadas em julho.

A semana termina com a divulgação da taxa de desemprego na zona euro em julho, antecipando-se uma estagnação pelo quinto mês consecutivo em julho, no valor recorde de 12,1%, acrescenta Ramiro Loureiro.

Ainda na sexta-feira, os indicadores de confiança económica também devem sinalizar uma melhoria na região do euro em agosto. Do outro lado do Atlântico, as atenções estarão voltadas para o Chicago PMI que deverá revelar uma aceleração do ritmo de crescimento da atividade industrial de Chicago em agosto (subindo de 52,3 para 53,0) e que a Universidade do Michigan aponte para uma subida da confiança dos consumidores dos EUA no último mês.

Na dívida pública estão agendadas para segunda-feira emissões de curto prazo de França e Alemanha. Na terça-feira, Espanha e Itália também recorrem aos mercados para se financiarem e Itália nos dois dias seguintes.

No que respeita a resultados, na próxima quinta-feira serão divulgados as contas da Mota Engil relativas ao primeiro semestre.