A Bolsa de Lisboa perde 2% e continua pressionada pela incerteza política no país, num dia em que os partidos de esquerda deverão derrubar o Governo de centro-direita, com o sector da banca a ser de novo o mais penalizado, mas com as taxas da dívida portuguesa a aliviarem.

O PSI20 ontem, primeiro dia do debate sobre o programa do recém-empossado Governo do PSD e CDS-PP, caiu 4,05%, a descida mais pronunciada desde 24 de Agosto.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que Portugal não pode ser complacente e tem de prosseguir a política de consolidação orçamental com cruciais reformas, acusando os partidos da esquerda, que o querem derrubar, de proporem medidas irrealistas que levariam o país à ruína.

Com 17 dos 18 atuais títulos do PSI20 em queda, o índice hoje lidera de novo as desvalorizações numa Europa que abriu positiva mas reverteu para terreno negativo.

O índice Eurofirst300, composto pelas 300 maiores cotadas europeias, desliza 0,14%.

Os títulos da banca portuguesa, vista como mais exposta à incerteza política e a um eventual Governo liderado pelos socialistas e com apoio do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda, prolonga as quedas de ontem.

O Millennium bcp perde 4,61% após ter afundado 9,5% ontem, o BPI recua 1,17% a seguir ao tombo de quase 9%, enquanto o Banif perde 8%.

Pressão adicional dos títulos do grupo EDP, com a casa-mãe a desvalorizar 3,69% e a EDP Renováveis 2,92%.

Entre outras quedas significativas, a retalhista Sonae perde 2,55% e a Galp Energia 2,59%.

No mercado de dívida há uma inversão do sentimento de ontem, com a taxa das Obrigações do Tesouro portuguesas a aliviar 5 pontos base (pb) para 2,83%, após ter disparado 17 pontos ontem.

Esse movimento de queda está em linha com as das equivalentes espanholas e italianas, que recuam 7 pb e 6 pb para, respetivamente, 1,92% e 1,61%.