O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) reúne-se esta quinta-feira e, embora os analistas não esperem alterações na taxa de juro, admitem indicações de que dezembro vai levar a mais intervenção na compra de ativos.

A maior parte dos analistas contactados pela agência Bloomberg, segundo a Lusa, disse esperar pouca ação por parte do BCE, devido aos dados económicos díspares de outubro e ao facto de ainda ser cedo para avaliar o impacto das medidas já implementadas.

No entanto, a haver anúncios, os analistas de bancos como o JPMorgan ou do Bank of America Merril Lynch, admitiram a possibilidade de o Conselho do BCE poder vir a introduzir alterações nos termos das operações direcionadas de refinanciamento de longo prazo (TLTRO, na sigla em inglês).

No caso do Goldman Sachs, o economista Dirk Schumacher espera que o BCE mantenha as taxas de juro inalteradas, com o presidente do banco central, Mario Draghi, a, «provavelmente, apelar à paciência na avaliação do impacto dos novos programas de compra de ativos e das TLTRO».

Já Mark Wall e Marco Stringa, do Deutsche Bank, referiram que Draghi poderá reutilizar a frase de que o conselho «está preparado para ajustar o tamanho e a composição das aquisições de ativos, dessa forma apoiando implicitamente a compra de títulos de empresas».

No caso do JPMorgan, Greg Fuzesi, espera que «quaisquer anúncios do BCE se deverão focar no desenvolvimento das TLTRO» e que esta semana será, «talvez, a última oportunidade para aumentar a atratividade de dezembro».

Do BNP Paribas, Kenneth Wattret, vai no mesmo sentido, acreditando que o BCE deverá anunciar uma maior intervenção só em dezembro, mas que, ainda assim, poderá haver já sinais das suas intenções na conferência de imprensa de Draghi.

No final de outubro, o BCE informou que começaria este mês a comprar dívida titularizada designada como «asset-backed securities» (ABS) e que contratou quatro gestores de ativos para que executassem as aquisições.

A reunião do BCE para debater e, eventualmente, alterar a política monetária da zona euro, ocorre numa altura em que Mario Draghi está a ser muito questionado por alguns bancos centrais.

No início de outubro, para além de ter mantido a taxa de juro no mínimo histórico de 0,05%, o BCE anunciou em Nápoles mais pormenores sobre os programas de compra de dívida privada, designadamente que estes vão estar em vigor dois anos.

O pacote do BCE inclui a compra de ativos ABS (asset-backed securities) e de créditos hipotecários em euros emitidos por instituições financeiras da zona euro.

Foi a 04 de setembro que o BCE reduziu a taxa de juro diretora para os 0,05%.