A fusão entre a Portugal Telecom (PT) e a Oi deverá estar concluída entre abril e maio, altura em que decorrerão novas assembleias-gerais de acionistas para a ratificação da operação, segundo fonte do setor.

Já em declarações à comunicação social em fevereiro, o presidente executivo e do conselho de administração da PT, Henrique Granadeiro, tinha garantido que a fusão com a Oi se estava a desenrolar dentro do calendário previsto, devendo estar concluída no segundo trimestre.

Até lá, o aumento de capital terá que ser aprovado pelos acionistas das duas operadoras, que vão reunir-se quinta-feira em assembleias-gerais extraordinárias com um ponto único na ordem de trabalhos: a deliberação sobre a participação no aumento de capital da Oi, mediante a contribuição dos ativos que constituem a totalidade dos ativos operacionais detidos pelo Grupo Portugal Telecom e responsabilidades inerentes.

A exceção são as ações da própria Oi, as ações da Contax Participações e da Bratel BV detidas direta ou indiretamente pela PT.

Para efeitos de subscrição do aumento de capital foi estabelecido pelo conselho de administração da Oi um valor para os ativos PT de 1,750 mil milhões de euros. Os acionistas irão deter 38,1% do capital social circulante e com direito de voto da CorpCo.

O pricing da oferta está previsto para 16 de abril e a liquidação financeira para 26 do mesmo mês.

A fusão dará lugar àquela que será a maior operadora lusófona de telecomunicações e uma das 20 maiores do mundo.

Acionistas minoritários da Oi insatisfeitos com a fusão

Os acionistas minoritários da Oi estão insatisfeitos com as condições da fusão com a Portugal Telecom (PT) e ameaçam rejeitar as propostas na próxima assembleia-geral se estas não forem revistas, mas isso não deverá travar a operação.

Em causa estão algumas condições da operação de fusão, cujos acionistas minoritários consideram não ser equitativas para todas as entidades envolvidas, nomeadamente a partilha de dívidas e uma eventual sobreavaliação dos ativos da PT.

Em declarações à Lusa, o especialista de telecomunicações Eduardo Tude, presidente da consultora Teleco, disse que os pequenos acionistas irão defender a sua posição na próxima assembleia-geral, que tem como proposta aprovar o aumento de capital da Oi, e que deverá haver uma discussão sobre os valores de avaliação do investimento.

No entanto, «não parece haver um movimento capaz de barrar a fusão», considerou.

Oscar Malvessi, coordenador do curso de Fusões e Aquisições da Faculdade Getúlio Vargas, em São Paulo, considerou que o «normal» é que aconteçam negociações com os acionistas minoritários para garantir a fusão.

Um dos pequenos acionistas, a gestora Tempo Capital, divulgou recentemente um pedido de procuração onde defende o veto da fusão por entender que esta «é uma tentativa do grupo de controlo de obter benefícios particulares à custa da companhia [Oi] e dos acionistas minoritários».

Entre as críticas da Tempo Capital à operação estão a partilha de dívidas do grupo de controlo com os restantes minoritários, uma eventual sobreavaliação dos ativos da PT que estão a ser incorporados na brasileira Oi e a «ausência de benefícios operacionais» e, ainda, a inclusão de operações em países que considera menos atrativos.