A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou esta terça-feira que suspendeu a negociação das ações do BPI e do BCP «até à divulgação de informação relevante».

Esta suspensão acontece depois da confirmação do BCP de que recebeu uma carta da empresária angolana Isabel dos Santos, em nome da Santoro Finance, a propor uma fusão com o BPI.

«O BCP informa ter recebido hoje uma carta da Santoro Finance – Prestação de Serviços, fazendo a promoção junto das administrações do Banco BPI e Millennium BCP da análise de uma operação de fusão entre as duas entidades», adiantou o banco em comunicado,cita a Lusa.

O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários deliberou a «suspensão da negociação das ações do Banco BPI, S.A. e do Banco Comercial Português, SA., até à divulgação de informação relevante sobre os emitentes», informou o supervisor do mercado.

Antes de a CMVM ter anunciado a suspensão da negociação das ações dos dois bancos, o BPI liderada os ganhos do índice principal da bolsa de Lisboa, o PSI20, ao ganhar 6,76% para 1,452 euros e o BCP avançava 5,04% para 0,0876 euros.

Na sessão de segunda-feira, as ações do BPI fecharam a ganhar 0,76% e o BCP subiram 0,24%.

No comunicado, o BCP dá conta de que, havendo interesse do BPI nessa fusão, a Comissão Executiva do banco «manifesta a sua disponibilidade para analisar» a referida operação, «com respeito pelo circunstancionalismo regulamentar» aplicável.

Mas ressalva que esta disponibilidade do BCP não pode ser entendida como garantia de que a operação se venha a efetuar ou como sinal de ter sido tomada qualquer decisão sobre a operação de fusão.

Segundo fonte próxima das negociações, a empresária Isabel dos Santos, através da Santoro, enviou segunda-feira a carta aos presidentes das comissões executivas do BPI, BCP e CaixaBank, propondo criar o maior banco privado português (BPI+BCP) com interesses em Angola, Moçambique e Polónia, mas com um núcleo acionista centrado em Portugal.

Isabel dos Santos, que detém 18,6% do BPI, faz assim uma proposta que choca com os interesses da Oferta Pública de Aquisição (OPA) ao BPI dos espanhóis do CaixaBank, que querem a integração ibérica dos dois bancos.

A CMVM informou na segunda-feira ter pedido esclarecimentos a Isabel dos Santos sobre uma eventual fusão entre o BPI e o BCP.

A 17 de fevereiro o CaixaBank anunciou a intenção de lançar uma OPA sobre os 55,9% do capital do BPI que ainda não detém, mas enumerando duas condições: conseguir pelo menos 50,01% do banco português e obter o desbloqueio dos direitos de voto no BPI, que lhe estão limitados a 20%.

Ou seja, o banco catalão ofereceu 1,329 euros por cada ação do BPI para obter pelo menos mais 5,9% do capital do banco português, mas tem de conseguir três quartos dos votos (75%) na assembleia-geral de acionistas do BPI a favor da desblindagem dos estatutos. Nessa votação, o CaixaBank ainda votará com 20% dos votos.