As fortes quedas dos bancos portugueses empurraram a Bolsa de Lisboa para terreno negativo, em linha com a maioria das praças europeias, depois da banca grega ter voltado a afundar 30%, pelo segundo dia consecutivo, apesar das negociações para o novo resgate ao país estarem perto do fim.

À saída de uma reunião com os representantes dos credores internacionais, Euclid Tsakalotos, o ministro grego das Finanças, disse aos jornalistas: "tudo estará concluído esta semana".

A Bolsa grega voltou a fechar em queda, mas desceu apenas 1,22%, longe da queda a pique de 16,2% que deu ontem. Contudo, o sector da banca encerrou novamente com uma queda de 30%.

O índice FTSEurofirst 300, que agrega as 300 maiores cotadas do Continente, fechou a perder 0,2% e as principais bolsas europeias registaram descidas entre 0,03% em Londres e 1,02% em Madrid e Milão.

De acordo com a Reuters, os analistas justificaram as quedas nos mercados acionistas com os fracos resultados de algumas cotadas e a pressão no sector das matérias-primas, tendo em conta a contração dos mercados chineses.

A fabricante automóvel alemã BMW anunciou uma descida do lucro líquido do segundo trimestre para 2.520 ME, menos 3% em termos homólogos, com as vendas na China a abrandarem.

Por sua vez, o Credit Agricole afundou 10%, após ter excluído, no curto-prazo, uma simplificação da sua complexa estrutura de acionista.

O banco francês, que foi acusado pelos Estados Unidos de ter violado várias sanções internacionais, apresentou nas contas do trimestre um aumento de 350 milhões de euros (ME) das provisões para litígios.

"A China ainda é uma preocupação, e ainda não estamos a ver crescimento do top-line em muitos dos resultados divulgados", disse Terry Torrison, director da McLaren Securities, citado pela Reuters.

As fortes quedas nos mercados chineses suscitam dúvidas quanto ao desenvolvimento económico de um dos maiores consumidores de matérias-primas do mundo, e pressionam os mercados das commodities.

O preço do barril de Brent, em Londres, avança 1,07% para 50,06 dólares, mas continua a negociar em mínimos de seis meses.

O mercado petrolífero tem sido penalizado pelo fraco outlook para a economia chinesa, e por receios com o excesso de oferta global nos próximos meses.

O euro aprecia-se 0,1 pct, para 1,096 dólares.