A Fitch considera que a decisão do BdP em transferir 1.900 milhões de euros de dívida sénior do Novo Banco para o 'BES mau' levanta interrogações de como futuras resoluções na Europa poderão colocar em sobressalto os investidores.

A 30 de Dezembro, o Banco de Portugal transferiu de volta para o BES obrigações com 1.985 milhões de euros (ME) de valor de balanço, permitindo reforçar o capital do 'good bank' Novo Banco.

Em comunicado, a agência de notação refere que "a decisão do Banco de Portugal (BdP) a 29 de dezembro de transferir 1.900 milhões de euros de obrigações séniores do banco de transição Novo Banco para o Banco Espírito Santo (BES), e que deve entrar em liquidação, mostra que os investidores institucionais podem enfrentar riscos de retrocesso nas decisões até a resolução estar concluída".

Para a Fitch Ratings, o processo de resolução do Novo Banco "levanta questões acerca de como futuras resoluções bancárias na União Europeia poderão ser conduzidas, particularmente porque os prazos poderão revelar-se bastante demorados", o que prejudica as intenções de investimento dos institucionais.

O Commerzbank disse que a decisão é preocupante e deverá desencadear acções legais, pois o Banco de Portugal (BP) descriminou investidores.

"A experiência do Novo Banco significa que futuros 'ratings' atribuidos a 'bridge banks' poderão ser condicionados, de forma a refletir os riscos de transferência legados até que estes se tornem suficientemente remotos", afirmou a Fitch.

"Não atribuimos notação ao Novo Banco mas, se o fizéssemos, provavelmente veríamos a transferência das obrigações de volta ao BES como um incumprimento restrito do Novo Banco e os seus 'Issuer Default Ratings' reflectiriam tal", afirmou a Fitch.


A reflectir o disparo do prémio de risco exigido pelos investidores, as obrigações sénior do Novo Banco com cupão 4,75% e maturidade em Janeiro de 2018, que transitaram para o 'bad bank', estão com uma 'yield' de 225,8% contra 8,41% no final de Dezembro de 2015 e 5,07% a 4 de Agosto de 2014, um dia após o anúncio da resolução do BES.

Esta brutal subida da 'yield', que corresponde a uma descida a pique do preço das obrigações, é comum às várias linhas visadas pela decisão do BP.