O Estado conseguiu emitir 5,5 mil milhões de euros de dívida pública, através de dois leilões do IGCP realizados esta terça-feira.

Foram colocados 3,5 mil milhões de euros em Obrigações do Tesouro na maturidade a 10 anos, com juros de 2,87%. Nas OT a 30 anos o IGCP conseguiu colocar dois mil milhões de euros, com um juro de cerca de 4,13%.

Esta emissão assegura cerca de metade das necessidades de financiamento do Estado para 2015.

O IGCP prevê a emissão bruta de até 14 mil milhões de euros em dívida de médio a longo prazo em 2015, para cobrir os cerca de 11 mil milhões de euros das necessidades de financiamento do ano. 

A última vez que Portugal tinha colocado obrigações a 30 anos foi em outubro de 2009, segundo a Bloomberg.


«Portugal viu uma boa janela para entrar no mercado», refere a agência liderada por Cristina Casalinho, explicando que «beneficiou de um ambiente construtivo e da procura dos investidores».

Ao todo, os títulos de dívida pública portuguesa tiveram uma procura de 14.000 milhões de euros nas duas maturidades: 8.000 milhões para a dívida a 10 anos e 6.000 milhões para a maturidade mais longa, a 30 anos.

Em termos de ofertas, foram registadas 290 ofertas para os títulos a 10 anos e 300 para os títulos a 30 anos, tendo sido registadas 590 ofertas nas duas emissões.

«A dimensão do livro de oferta resultou numa alocação de alta qualidade em termos de tipo de investidor e de diversidade geográfica, nomeadamente fundos de pensões e seguradoras e investidores da Europa Central», refere o IGCP na nota emitida esta terça-feira.

Quanto à geografia dos investidores que hoje compraram dívida pública portuguesa, o IGCP adianta que 10,8% dos títulos a 10 anos ficaram em mãos de portugueses e, no caso da dívida a 30 anos, apenas 6,1% foi adquirida por capital português.

A maioria dos títulos a 10 anos foi comprada por investidores do Reino Unido (30,1%), da Alemanha, Áustria e Suíça (15,8%), de Espanha (14,1%) e de outros países europeus (12,5%).
Já em relação aos títulos a 30 anos, os investidores britânicos compraram 36% dos colocados no mercado, os alemães, austríacos e suíços ficaram com 21,9% e os outros países da Europa com 15,8%.