Portugal colocou 1.400 milhões de euros (ME), mais do que o montante inicialmente previsto, de Bilhetes do Tesouro (BT) a três e 11 meses, com as taxas a descerem para mínimos de sempre, incólumes ao aumento da incerteza política quanto ao processo de formação de Governo.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou 300 ME de BT a três meses e 1.100 ME a 11 meses. O montante indicativo era de 1.000-1.250 ME.

A taxa média ponderada (TMP) dos BT a três meses fixou-se nos -0,021%, face ao mínimo histórico de -0,013% registado no anterior leilão a 19 de Agosto.

Na maturidade a 11 meses, a taxa média foi de 0,006%, também o valor mais baixo de sempre, face a 0,051% num leilão a 16 de Setembro.

Os analistas têm salientado que as taxas da dívida portuguesa não têm sido muito afetadas pela incerteza política desde as eleições, dada a 'proteção' dada pelo agressivo programa de compras do Banco Central Europeu (BCE), que consiste na compra de 60.000 ME de dívida soberana por mês até Setembro de 2016.

No mercado secundário, a taxa das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos sobe 5 pontos base para 2,47%, mas continua distante dos 6,1% no final de 2013 e mais de 17% no pico da crise soberana no início de 2012.

O primeiro-ministro e presidente do Partido Social Democrata (PSD), Pedro Passos Coelho, e o líder dos socialistas, António Costa, mantiveram a disputa pela indigitação para a liderança de um novo Governo, aumentando a incerteza política em Portugal.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, está a receber os partidos políticos com assento parlamentar com vista à formação do Governo.

Ontem recebeu o PSD, o Partido Socialista (PS), o Bloco de Esquerda (BE) e o CDS-Partido Popular. As audiências continuam esta manhã, com o Presidente a receber o Partido Comunista Português, Os Verdes e o PAN-Pessoas, Animais, Natureza.

A 4 de Outubro, a coligação governamental de centro-direita Portugal à Frente (PàF), formada pelo PSD e CDS-PP, ganhou as eleições, mas perdeu a maioria parlamentar que o apoiou nos últimos quatro anos.

Após a audiência com o Presidente ontem, Passos Coelho disse que, "apesar de não ter maioria absoluta no Parlamento, é à força política constituída por estes dois partidos - PSD e CDS-Partido Popular - que cabe naturalmente constituir Governo".

Contudo, o líder dos socialistas retorquiu que "o PS entende que não se deve furtar ao dever de proporcionar ao País uma solução de Governo estável e que tenha suporte maioritário para o conjunto da legislatura".

Enquanto a coligação tem dito que não está disponível para colaborar com as "simulações" de negociações por parte do PS, os socialistas têm realçado que as negociações com os partidos à sua esquerda, PCP e BE, correm bem.

Estes três partidos da esquerda têm a maioria dos deputados da Assembleia da República (AR).

A procura de BT no leilão a três meses excedeu a oferta em 3,37 vezes face a 3,1 vezes no leilão anterior e a colocação a 11 meses registou um rácio bid-to-cover de 1,84 vezes versus 2,1 vezes no anterior.