O índice português fechou a subir 2,72%, acompanhando o forte recuperação das ações europeias, impulsionado pelo disparo de quase 13% do Millennium bcp, numa sessão marcada pelas declarações do Presidente do BCE, que abriu a porta a mais estímulos monetários.

Após vários dias turbulentos nos mercados, Mário Draghi disse que o Banco Central Europeu (BCE) terá de rever a sua política monetária em Março, pois as dinâmicas de inflação estão significativamente mais baixas que o previsto.

O Presidente do BCE sublinhou o aumento dos riscos para as economias da zona euro, com o abrandar das expectativas de crescimento dos mercados emergentes, a volatilidade dos mercados e novos riscos geopolíticos.

De acordo com a Reuters, o Stoxx 600 fechou a ganhar 1,93%, recuperando de mínimos de Outubro de 2014 tocados recentemente.

Em Lisboa, a estrela da sessão foi o BCP, que fechou a disparar 12,72% para 0,0381 euros.

Em entrevista à Reuters, Miguel Maya, vice-presidente executivo do BCP, disse que o maior banco privado português está preparado para uma nova análise do BCE à sua carteira de crédito malparado, e até a vê como uma "oportunidade", pois tem feito uma profunda limpeza do seu balanço desde 2009.

A Galp Energia avançou 3,3%.

O preço do petróleo recupera de mínimos de 12 anos. A cotação do Nymex, em Nova Iorque, sobe 5,61% para 29,95 dólares, enquanto a do barril de Brent, em Londres, dispara 6% para 29,5 dólares.

A telecom NOS ganhou 2,12% e a Jerónimo Martins 1,64%.

A retalhista Sonae avançou 4,49% para 0,9555 euros, depois das vendas no retalho do quarto trimestre de 2015 terem superado as expectativas dos analistas, principalmente no segmento alimentar.

Os CTT avançaram 2,05% e a Portucel 2,97%.

O CEO da Portucel Moçambique disse em entrevista à Reuters que o investimento total do projeto em Moçambique deverá ascender aos 3.000 milhões de dólares (MD), face à previsão anterior de 2.300 MD, com um aumento da capacidade de produção de mais de 50% devido a avanços tecnológicos.

Segundo operadores, a Bolsa de Lisboa vai ter um ano difícil dada a elevada incerteza à escala global, que a encurralou entre a sombra da travagem económica na China, com o contágio da turbulência mercados asiáticos, e o cada vez mais distante brilho de novos estímulos do Banco Central Europeu (BCE).