Os mercados acionistas europeus viveram hoje um dia negro, devido à tensão na Ucrânia, acumulando perdas significativas que esbateram os níveis mais altos dos últimos seis anos que tinham sido alcançados na semana passada.

Entre as 600 cotadas que compõem o índice pan-europeu Stoxx Europe 600, 575 fecharam a sessão bolsista de hoje no vermelho. As perdas entre as principais bolsas europeias variaram entre os 1,49% de Londres e os 3,44% de Frankfurt. Em Portugal, o índice PSI20 recuou mais de 2,5%.

Os investidores estão preocupados que a escalada da situação de tensão entre a Ucrânia e a Rússia prejudique os resultados das empresas que têm maior exposição ao mercado russo.

O índice de referência da Rússia (Micex) desvalorizou 11% durante o dia de hoje, a maior queda desde novembro de 2008 e as ações da empresa russa Gazprom, que vende metade das suas exportações de gás natural para a Europa através da Ucrânia, perderam 14%.

Também a Carlsberg, que detém a maior cervejeira russa, registou hoje a maior descida em mais de um ano.

«A situação na Ucrânia vai ter um grande impacto nos resultados das empresas», comentou à agência Bloomberg Robert Halver, especialista do Baader Bank, em Frankfurt, acrescentando que não vê uma «solução rápida» para o problema, pelo que «o fornecimento de energia à Europa ocidental está atualmente em risco».

O responsável realçou ainda que toda esta situação vai fazer subir os níveis de volatilidade nos mercados financeiros.

Já Gillian Edgeworth, economista-chefe do UniCredit para a Europa emergente, Médio Oriente e África, salientou que «há o risco de sanções internacionais contra a Rússia num momento em que a sua economia enfrenta uma necessidade crescente de atrair investimento estrangeiro».

De resto, também os índices norte-americanos seguem a negociar no vermelho, com perdas superiores a 1%.

A tensão entre a Ucrânia e a Rússia agravou-se na última semana, após a queda do Presidente Viktor Ianukovich, por causa da Crimeia, península do sul do país onde se fala russo e está localizada a frota da Rússia no Mar Negro.

Nas últimas 24 horas, segundo Kiev, aterraram na Crimeia dez helicópteros russos de combate e oito aviões de transporte de tropas, sem que a Ucrânia tenha sido avisada, como estipula o tratado bilateral sobre o estatuto da frota do Mar Negro.

Moscovo elevou para 6.000 soldados a sua presença na península da Crimeia, de acordo com o Ministério da Defesa da Ucrânia.

A câmara alta do parlamento russo aprovou no sábado, por unanimidade, um pedido do presidente Vladimir Putin para autorizar «o recurso às forças armadas russas no território da Ucrânia».