Na reunião de 30 de julho, na qual o conselho de administração do BES se juntou para aprovar os resultados do primeiro semestre (e que levariam ao resgate do banco), os franceses do Crédit Agricole fizeram um último esforço para tentarem reduzir as provisões impostas pelo supervisor e pela consultora KPMG, revela o Diário Económico.

 

O BES teria de registar uma provisão de dois mil milhões de euros, relativa à exposição ao Grupo Espírito Santo, segundo instrução do Banco de Portugal. Esta provisão iria arruinar a maior parte da almofada de capital de que o BES dispunha, sobrando apenas uma parcela de cerca de 100 milhões de euros.

 

Mas em julho a KPMG descobriu um esquema de financiamento oculta do GES ao BES, que obrigaria a novas provisões no valor de 1,5 mil milhões de euros e afundaria os rácios de capital do banco.

 

Assim, os representantes do Crédit Agricole, tentaram reduzir esse valor. Eram os segundos maiores acionistas do banco, com 15%, tendo perdido cerca de 800 milhões de euros com a resolução do banco.

 

Nas suas intervenções, Marc Oppenheim sublinhou a especial responsabilidade que o conselho tinha em relação a aprovação das contas, de forma a que tratassem fidedigna e prudentemente a situação do banco, mas sem cair em excesso de prudência.

 

O gestor defendeu ainda que o banco não deveria provisionar a 100% os montantes relativos às obrigações de longo prazo, e propôs a sua conversão em depósitos.