A Bolsa de Lisboa encerrou a subir 1,72%, apoiada nos ganhos das energéticas e da Jerónimo Martins, em linha com os pares europeus, animados pela forte euforia em torno das conclusões da reunião do BCE no Chipre.

Os Governadores Centrais do BCE, reunidos hoje no Chipre, decidiram agendar para a próxima segunda-feira, 9 de Março, o início do programa de Quantitive Easing (QE) e reviram em alta a previsão de crescimento económico na zona euro este ano e em 2016.

O BCE dará então o tiro de partida ao agressivo pacote de estímulos, o QE, que consiste em comprar, por mês, 60.000 ME de ativos, incluindo dívida soberana da zona euro.

O programa vai estar ativo entre Março de 2015 e Setembro de 2016, ou até a inflação chegar a níveis próximos mas inferiores a 2%.

As novas previsões do banco central apontam para um crescimento do PIB da zona euro de 1,5% em 2015, de 1% na estimativa anterior de Dezembro, e 1,9% em 2016, dos 1,5% estimados antes.

Prevê-se agora inflação zero este ano, subindo para 1,8% apenas em 2017, uma estimativa que sugere que o programa de QE poderá não se prolongar para lá de Setembro de 2016.

De acordo com a Reuters, o índice FTSEurofirst300, composto pelas 300 maiores cotadas do continente, subiu 0,78%.

Segundo dados da Thomson Reuters Starmine, 80% das empresas no Stoxx Europe 600 já apresentaram resultados, com uma subida de 22% nos lucros trimestrais, a melhor performance desde 2011.

No mercado soberano de dívida, a taxa de juro das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos cai 8 pontos base para os 1,81%, beneficiando dos novos detalhes do massivo programa de compra de ativos do BCE, e da confiança mostrada pelo Tesouro português, ao aumentar o programa de emissões para reembolsar o FMI.

«Também a ajudar os yields, estão as notícias que o IGCP avançará para um valor superior de emissões com vista ao reembolso antecipado ao FMI, um sinal de confiança, embora implique o esforço de colocar mais emissões no mercado», afirmou o trader, citado pela Reuters.

O IGCP aumentou em 4.000 milhões de euros (ME) o montante de emissões de dívida em 2015 para reembolsar antecipadamente o empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciou ontem a Presidente do IGCP, Cristina Casalinho.