A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou esta quinta-feira que deliberou a suspensão da negociação das ações do Banco Espírito Santo (BES) até «à divulgação de informação relevante sobre o emitente».

A decisão do conselho diretivo da CMVM foi feita em comunicado e segue-se à decisão desta quinta-feira de manhã do Espírito Santo Financial Group (ESFG) de suspender a negociação de ações e obrigações da empresa em Lisboa e no Luxemburgo.

As ações do BES seguiam, até ao momento da suspensão, a desvalorizar 17,24% para os 0,509 euros. Mas já tinham estado a perder 18,7% e atingiram mesmo o valor mais baixo desde Julho de 2013.

As polémicas em torno da gestão e dos problemas financeiros do grupo detentor do BES aumentaram nos últimos dias. Têm arrastado consigo a bolsa portuguesa e também os juros da dívida pública portuguesa.

Os analistas atribuem à situação que se vive no grupo Espírito Santo a subida que se verifica nos juros da dívida soberana de Portugal no mercado secundário, assim como o atual mau desempenho dos mercados europeus.

«Pode-se obviamente relacionar com a questão do Grupo Espírito Santo [GES], pela questão do risco sistémico que o mercado teme. Questiona-se até que ponto uma instituição financeira desta dimensão não pode ter repercussões na economia e afetar a qualidade do crédito do Estado», afirmou o analista da Fincor Albino Oliveira à Lusa.

Albino Oliveira disse que a situação, em Portugal, do GES a juntar à situação, em Espanha, da empresa Gowex, que reconheceu a falsidade das contas dos últimos quatro anos, está a pressionar os juros da dívida de todos os países da periferia do euro (Portugal e Espanha, mas também de Itália e Grécia), enquanto os juros da dívida de Alemanha e França descem.

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Também analistas internacionais falam da pressão que a situação do grupo de que o BES faz parte está a ter sobre os mercados da periferia, tanto de obrigações como de ações, assim como da forma como está a abalar a confiança dos investidores na zona euro.

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