O Caixabank vai lançar uma OPA sobre o BPI, oferecendo 1,113 euros por acção para comprar os 55,9% que não detém no banco português, após o acordo com a Santoro de Isabel dos Santos ter colapsado, disse o banco espanhol.

Adiantou que a OPA dependerá que a aceitação supere os 50% do capital do BPI, e da desblindagem dos estatutos do banco, que neste momento limita os direitos de voto de cada accionista a 20%.

"Este é um passo lógico para a expansão internacional do Caixabank, dado o conhecimento que tem do BPI e do sector bancário português, onde o banco está activo desde 1995," disse o Caixabank, em comunicado.

O banco espanhol, que detém 44,1% do BPI, prevê completar a operação até ao final do terceiro trimestre deste ano.

Acrescentou que a aquisição deverá impactar o rácio de capital 'fully-loaded' em 97 a 146 pontos base, um impacto que poderá ser mitigado com a eventual venda da unidade angolana do BPI, o Banco Fomento de Angola (BFA).

Prevê ainda que as sinergias de custos da aquisição atinga cerca de 85 milhões de euros (ME) no terceiro ano, enquanto espera sinergias de receitas em 35 ME por ano, e custos de restruturação de cerca de 250 ME.

As acções do BPI estão suspensas desde o início da semana passada, quando o regulador CMVM afirmou estar à espera de informação revelante sobre um acordo anunciado a 10 de Abril entre o Caixabank e a Santoro para resolver o problema da exposição do BPI a grandes riscos, nomeadamente a Angola.

Antes dessa suspensão, as acções tinha fechado nos 1,191 euros.

Isabel dos Santos detém 20% do BPI, dos quais 18,6 pct através da Santoro e o restante via o Banco BIC.

O governo português aprovou na quinta-feira passada um decreto lei para acabar com a blindagem dos estatutos da banca, uma medida abriu a porta ao espanhol Caixabank para lançar uma OPA sobre o BPI após falhar o acordo com a Santoro, disse um porta-voz do Executivo no Domingo. 

O BPI disse ontem que a Santoro desrespeitou o acordo firmado com o Caixabank para o BPI reduzir a exposição de 50,1% ao BFA, e o banco português está agora em contactos com o Banco Central Europeu para encontrar uma alternativa.

No Sábado, a Santoro frisou que "a posição de Isabel dos Santos é que a participação atual do BPI no BFA seja reduzida e que as ações do BFA sejam admitidas à cotação em bolsa; e que isso poderia acontecer através da dispersão das acções numa bolsa de valores adequada". 

Uma fonte próxima do processo tinha dito à Reuters que o acordo passava por a telecom angolana Unitel comprar uma parte dos 50,1% que o BPI tem no BFA, adiantando que previa que o BFA possa vir a ser cotado na Euronext Lisbon.

O BFA é detido em 49,9% pela Unitel, onde Isabel dos Santos tem uma participação preponderante.