As ações do Millennium bcp e do BPI disparam 8%, impulsionadas por notícias que a empresária angolana Isabel dos Santos, segunda maior acionista do BPI, quer propôr a fusão entre os dois bancos para travar a OPA do CaixaBank sobre o BPI.

«A hipotética fusão ainda está no plano especulativo. Embora haja indicação que a CMVM pediu esclarecimentos, os títulos não foram suspensos», disse Luís Gonçalves, operador da GoBulling no Porto, à Reuters.

A CMVM pediu esclarecimentos à Santoro, da empresária angolana Isabel dos Santos, acerca das notícias, segundo uma porta-voz da CMVM.

«Tal iniciativa poderá forçar o LaCaixa a subir a parada e acrescenta ângulo especulativo ao BCP, mostra que o sector está atrativo», afirmou Luís Gonçalves.

Ontem, ao final da tarde, o Expresso referiu que «nos últimos dias têm ocorrido conversas entre a empresária e a alguns acionistas do BCP, nomeadamente a Sonangol, para que a fusão dos dois bancos possa começar a ser discutida».

«São notícias que vêm acrescentar algum interesse especulativo a um sector que já estava a demonstrar alguma força», frisou o trader da GoBulling.

O BCP negoceia nos 0,0895 euros e o BPI nos 1,46 euros.

O espanhol CaixaBank anunciou, a 17 de Fevereiro, uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital do BPI, instituição na qual já é o maior acionista com 44,1%, oferecendo 1,329 euros por ação, que entretanto já foi suplantada pela cotação em Bolsa de 1,36 euros.

A Santoro de Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, tem 18,6% do BPI, que é o segundo maior banco cotado de Portugal e controla 50,1% do Banco Fomento Angola (BFA) - a ‘jóia da côroa’ em resultados e rentabilidade.

A oil estatal angolana é o maior acionista do Millennium bcp com 19,44%. O Millennium bcp tem 50,1 pct do Millennium Angola.

Em 2007, por duas vezes, o Millennium bcp e o BPI tentaram mas falharam projetos de fusão.