O BPI cortou o preço-alvo da Jerónimo Martins (JM) para 15,4 euros de 15,8 euros antes, refletindo um cenário cambial mais duro, e alertou para o risco político que a sua unidade Biedronka enfrenta na Polónia, refere uma nota de research, noticia a Lusa.

O cenário adverso do FOREX é o único factor negativo apontado pelo BPI para o corte de 3% do preço alvo da JM, destacando o banco a boa performance operacional e elogiando a “evolução excepcional dos volumes”, que torna a acção atractiva.

Os analistas do BPI afirmaram que a JM tem sido um outperformer, valorizando 23% nos últimos 12 meses face aos 13% do índice sectorial Stoxx Retail, embora o preço por acção siga 13% abaixo de picos de Agosto deste ano.

Desde o início do ano as acções da Jerónimo Martins valorizaram 42,53%. As ações da empresa fecharam a sessão de hoje a valorizar 1,43% para 12,05 euros.

“Os múltiplos da empresa continuam atractivos, quando ajustados para as perdas iniciais dos novos negócios, (...) enquanto o ‘momentum’ dos ganhos por acção deverá continuar a apoiar nos próximos doze meses”, disseram os analistas do BPI.


No entanto, alertaram para o risco político que a JM enfrenta na Polónia, país onde é líder do retalho alimentar através da rede de 2.639 supermercados Biedronka, com um volume de negócios de 4.499 milhões de euros no primeiro semestre deste ano.

“As eleições de Outubro na Polónia poderão materializar os riscos de haver uma proposta de um partido da oposição para (passar a) taxar as receitas dos retalhistas”, afirmou o BPI, questionando-se sobre a possibilidade de esta taxa se fixar em 2%.


Os analistas fazem referência à proposta do Partido da Lei e da Justiça – PiS –, líder nas sondagens para as eleições, que pretende implementar um novo imposto sobre as vendas dos grandes retalhistas. 

Na nota de investimento, o BPI explica que, se todos os ‘players’ no mercado forem afectados, haverá a possibilidade de passar este custo para os consumidores.

Contudo, caso o imposto acabe por ser mais discriminatório, “faria uma mossa de 35% no nosso valor justo, assumindo o impacto integral do imposto de 2%”.

Banco elogia evolução na Polónia

O BPI elogiou a evolução de volumes na Polónia, no primeiro semestre de 2015 – as vendas ‘Like for Like’ (LFL) subiram 3,8% -, que disse reflectir o ajustamento da gama de produtos e a introdução de pagamentos electrónicos.

“A JM tem estado altamente concentrada nos preços para manter a pressão sobre os seus pares e manter a percepção de liderança de preços no mercado de retalho alimentar da Polónia”, disseram os analistas do BPI.


Nos próximos meses, esperam que as LFL beneficiem de uma subida da inflação, enquanto a rentabilidade deverá ser ajudada por alguma alavancagem operacional, margens mais elevadas da nova gama de produtos e uma expansão contida.

Em Portugal, vêem uma execução “notável” da JM, com um crescimento de 3,8% das vendas LFL a validar a proposta de ‘elevado valor’ no país (...)”.

O BPI prevê assim uma evolução favorável do cash-flow e do retorno sobre o capital investido – ROIC -, com LFL estimadas de 2,7% na Polónia, em 2015, e margens previstas a atingir os 7,2% em 2017, face a 6,8% em 2014.