A praça de Lisboa fechou em forte queda, com todos os títulos negativos, numa sessão marcada pela queda a pique de quase 13% do mercado de Atenas e pelo agravamento do risco soberano, segundo operadores.

O índice PSI20 recuou para os 5.075 pontos. A retalhista Jerónimo Martins caiu 3,72%, num dia de pressão sobre o sector no geral.

Segundo a Reuters, a penalizar a Jerónimo Martins esteve o UBS que cortou a recomendação para ‘Neutral’ e o preço-alvo em 41%, referindo que a rentabilidade deverá continuar ameaçada em 2015, dado o ambiente de deflação e forte concorrência na Polónia.

A Galp Energia caiu 1,58%. O barril de brent tocou num novo mínimo de cinco anos em torno dos 65 dólares, seguindo a negociar nos 67 dólares.

«A queda do preço do petróleo afeta não só a Galp, mas também a Mota Engil e o BPI, dada a exposição que têm a Angola, um dos maiores produtores de petróleo em África», explicou Albino Oliveira, analista da Fincor, citado pela Reuters.

A construtora perdeu 5,91% e o BPI 5,05%. O Millennium bcp desceu 4,62%.

Ontem, o Novo Banco, instituição que ficou com os ativos não-tóxicos do Banco Espírito Santo (BES), acordou a venda do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) à Haitong International de Hong Kong por 379 milhões de euros (ME).

A EDP desceu 1,6%, a Sonae 3,51% e a EDP Renováveis 2,6%.

A PT SGPS desceu 1,01%, nos 1,27 euros, abaixo da contrapartida de 1,35 euros oferecida por Isabel dos Santos na Oferta Pública de Aquisição.

O conselho de administração da Oi aprovou a venda dos ativos portugueses de telecoms da PT Portugal à francesa Altice por 7.400 milhões de euros (ME) mas terá de ter o ‘OK’ dos acionistas da PT SGPS.

«E com esta confirmação, vemos as chances de sucesso da OPA de Isabel dos Santos mais reduzidas. Penso que o mercado está a ter esta leitura», afirmou o analista da Fincor, à Reuters.

A Impresa perdeu 2,16% para 0,95 euros. O Caixa BI vê um upside de 36% das ações do grupo de média, sublinhando que este é um player de início de ciclo altamente sensível à robustez da retoma económica de Portugal, e está operacionalmente saudável.

A Altri caiu 3,11%. O BESI subiu o preço-alvo da produtora de pasta de papel em 36% e a recomendação para «Comprar’, vendo-a muito bem posicionada para beneficiar da força do dólar face ao euro e de uma descida dos custos da madeira na Ibéria que, em conjunto, vão permitir um crescimento das margens.

A Europa sofreu fortes quedas. O regresso do risco político na Grécia domina as atenções, com o agravar da incerteza depois da antecipação em dois meses de um voto parlamentar para eleger o Presidente e que pode culminar na queda do Governo.