As bolsas europeias estão a respirar de alívio depois dos resultados eleitorais na Holanda, com a manutenção no poder do Partido Popular para a Liberdade e a Democracia, do primeiro-ministro Mark Rutte, de centro-direita, e a consequente derrota da extrema-direita. Estas eleições foram o primeiro teste ao populismo na Europa, depois do Brexit e da vitória presidencial de Donald Trump nos EUA. Várias praças atingiram mesmo o valor mais alto em vários meses ou mesmo em vários anos.

A bolsa AEX, de Amsterdão, atingiu o nível mais alto desde 2007, ou seja, dos últimos 10 anos, depois de subir 0,8%. A praça de Frankfurt (DAX) alcançou o patamar mais elevado desde abril de 2015, ao ganhar 1,2%.

O mesmo se passa com a bolsa de Paris (CAC), no valor mais desde agosto de 2015, com Milão (FTSE MIB), renovando máximos desde janeiro de 2016 e ainda com Londres (FTSE 100) que alcançou mesmo o seu recorde acima de 7.435 pontos.

Lisboa está positiva, com o PSI20 a ganhar cerca de 0,6%, a subida mais tímida da Europa. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu aos resultados eleitorais na Holanda dizendo que "a escolha do povo holandês é uma boa notícia para os parceiros como Portugal, para todos os que defendem uma Europa moderada, unida, coesa, forte".

As principais praças europeias estão também a ser impulsionadas pela subida dos juros anunciada ontem pela Reserva Federal dos Estados Unidos. É que apesar de, inicialmente, a iminência dessa medida tenha provocado receios entre os investidores, o banco central norte-americano indicou que pretende fazer apenas mais duas atualizações do custo do dinheiro este ano.

Os investidores europeus olharam para isso com um sinal de maior estabilidade, não se perspetivando que, nos próximos meses, o Banco Central Europeu venha a alterar a sua política monetária.

Já no mercado da dívida os juros estão pressionados em Portugal, em todos os prazos. As Obrigações do Tesouro a cinco anos estão em máximos dos últimos seis meses e a dez anos voltaram a ultrapassar o patamar dos 4%, sendo que nos últimos tempos têm estado sempre muito próximos disso. Chegaram a alcançar, a dez anos, os 4,195%, contra 3,967% na quarta-feira.

Nos últimos seis meses, os juros a dez anos subiram até ao máximo de 4,219% em 6 de fevereiro e desceram até ao mínimo de 3,137% em 24 de outubro.