O índice acionista de referência português fechou a subir 0,82% para um novo máximo do ano, apoiado nos ganhos do Millennium BCP e do sector do retalho, acompanhando os pares europeus, que estão na expectativa de que o Banco Central Europeu (BCE) avance com estímulos económicos.

O índice Eurofirst 300 que segue as 300 maiores cotadas no continente, avançou 0,14%.

«Os mercados europeus estão positivos, a antecipar a tomada medidas de incentivo por parte do BCE», referiu Gualter Pacheco, trader da GoBulling no Porto, citado pela Reuters.

Pela positiva no PSI20, destaque para a valorização de 3,34% da Jerónimo Martins, após um upgrade do Exane BNP Paribas, que subiu a retalhista para Outperform e o preço-alvo em 29% para 11 euros.

Esta casa de investimento realça que «o efeito negativo da deflação deverá continuar a pesar na performance da subsidiária polaca da Jerónimo Martins, mas o dividendo e a geração de cash-flow tornam o título apelativo».

A Sonae, líder do retalho nacional, avançou 3,09%.

Suporte adicional da banca, com o BCP a somar 4,87%, o Banif a subir 1,69%, e o BPI a ganhar 1,12%.

Na energia, os títulos da EDP fecharam a subir 1,09%.

Em sentido contrário, as ações da PT SGPS recuaram 4,69% para 0,61 euros por ação, após terem fixado um mínimo histórico nos 0,565 euros, penalizadas pela incerteza em torno da crucial Assembleia Geral (AG) desta quinta-feira.

«Por um lado, a Oi fechou a cair mais de 7% na sexta-feira. É importante lembrar que PT SGPS é essencialmente um veículo da Oi», disse Albino Oliveira, analista da Fincor, em Lisboa à Reuters.

As ações da Oi, onde a PT SGPS é o maior acionista com 25,6% do capital, seguem a subir 4,20%.

Segundo analistas e advogados, o cenário de reversão unilateral da fusão da PT SGPS com a Oi, visando bloquear a venda dos ativos portugueses da PT Portugal à Altice, tem poucas chances de sucesso pois abriria a 'caixa de pandora' de um duro e caro processo nos tribunais por muitos anos.

«Mesmo com a Oi e a PT SGPS a dizer que este cenário não é viável, só por o facto desta possibilidade estar em debate deixa os investidores nervosos», concluiu o analista da Fincor.

Na restante Europa, as principais bolsas europeias fecharam em alta, impulsionadas pela expectativa de que o BCE avance com o quantitative easing na reunião de 22 de Janeiro.

Este novo programa de estímulos monetários para forçar o crescimento económico, que deverão passar pela criação de moeda para compra de dívida soberana.

Três dias depois da reunião do BCE, a Grécia vai a votos para eleger um novo executivo, estando o Syriza, partido anti austeridade, a liderar as sondagens.