O índice PSI20 fechou a disparar 3,98%, a maior subida em mais de dois anos, e liderou as valorizações nas bolsas europeias, otimistas sobre um eventual acordo sobre a Grécia e aliviadas pela interrupção da queda abrupta no mercado acionista chinês.

De acordo com a Reuters, o índice FTSEurofirst 300, composto pelas 300 maiores cotadas europeias, somou 2,29%, com as bolsas suportadas por um rally no sector dos metais, e uma subida de 6% nas ações na China ontem à noite. Os esforços do governo chinês interromperam as perdas fortes dos últimos dias.

"Por si só, o crash no mercado acionista chinês não é tão perigoso para as outras bolsas, mas se o governo não conseguir estabilizar as ações, isso pode resultar num desacelerar do crescimento económico do país e isso seria mau para o resto do mundo," disse Koen De Leus, economista no KBC em Bruxelas, citado pela Reuters.

No outro grande foco dos investidores nesta altura, o Governo grego deverá apresentar ainda hoje um novo pacote de reformas, que será discutido pelo Eurogrupo no Sábado e pelos líderes da zona euro no Domingo.

Segundo o diário grego Kathimerini, o plano deverá representar 12.000 milhões de euros (ME) em poupanças nos próximos dois anos, mais 4.000 ME que previsto anteriormente, pois, após meses de negociações, Atenas enfrenta uma recessão mais dura este ano, estimada nos 3%.

"Os investidores estão com esperança, devido ao facto que o discurso de Tsipras (no Parlamento Europeu ontem) referiu ainda a possibilidade de um acordo ser assinado," disse Lorne Baring, director executivo na B Capital Wealth Management.

Michael Noonan, Ministro das Finanças irlandês afirmou que a probabilidade de se chegar a um acordo poderá ser superior a 50%.

Atenas fez um pedido formal para um terceiro resgate ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM) ontem, por três anos, citando o risco da estabilidade financeira da Grécia como estado membro e da zona euro como um todo.

A Chanceler alemã, Angela Merkel, avisou contudo, que um haircut, ou seja, um perdão da dívida da Grécia à
Europa, e que o Governo helénico de Alexis Tsipra tem pedido, continua a ser impossível.

Entretanto, a bolsa de Atenas e os bancos helénicos mantêm-se encerrados até, pelo menos, à próxima segunda-feira.

No mercado secundário de dívida, a taxa das obrigações portuguesas a 10 anos recua 10 pontos base para 2,943%, enquanto a equivalente grega alivia 50 pontos para 18,74%.

O euro deprecia-se 0,57% face à moeda norte-americana para os 1,1012 dólares, mas é visto como estando a resistir à pressão da crise grega esta semana.

No mercado petrolífero, o preço do barril de Brent, em Londres, ganha 3,21% para 58,88 dólares e o de crude Nymex sobe 2,67% para 53,02 dólares, apoiados pela recuperação dos mercados de ações na China e por incerteza sobre um acordo nuclear com o Irão.