A Bolsa de Lisboa fechou a subir 2,36%, suportada pelo anúncio do Banco Central Europeu (BCE) que vai comprar 60.000 milhões (ME) de dívida na zona euro por mês até Setembro de 2016, uma medida que resultou em fortes ganhos nos índices europeus.

O índice Eurofirst 300, que segue as 300 maiores cotadas no continente, subiu 1,56% para um máximo de sete anos, após o discurso de Mario Draghi, Presidente do BCE.

«Acreditamos que as medidas tomadas hoje vão ser eficazes, vão aumentar a inflação, ou um efeito de reequilíbrio em que se substitui obrigações por cash, e portanto os bancos terão incentivos para emprestar ao sector privado e às famílias», referiu Dhragi, nota a Reuters.

A dar suporte ao PSI20, as ações da PT SGPS dispararam 23,94%, com a crucial Assembleia Geral (AG) da telecom a deliberar esta tarde a venda dos ativos portugueses à Altice.

«A subida da PT reflete o disparo superior a 18% dos ADR da Oi, cotados nos EUA, ontem, num dia que promete alguma volatilidade dado existirem ainda incertezas em torno da AG marcada para esta tarde», referiu Paulo Rosa, trader da Go Bulling, no Porto, citado pela Reuters.

Os títulos da Oi, na qual a PT SGPS detém 25,6%, seguem a escalar 17,64% em São Paulo, com a expectativa que a venda da PT Portugal será aprovada, permitindo à empresa brasileira reduzir o pesado endividamento e participar na consolidação no sector no Brasil.

Suporte adicional da EDP Renováveis e dos CTT, com ganhos de 5,36% e 3,91%, respetivamente.

Na banca, o BPI somou 1,54%, o Millennium bcp subiu 3,76%, e o Banif fechou estável nos 0,006 euros por ação.

Pela negativa, a Galp Energia perdeu 0,18%, revertendo os ganhos, contagiada pela queda 1,37% no preço do barril de Brent para 48,36 dólares.

As ações da Sonae avançaram 2,61%. A dona dos hipermercados Continente anunciou ontem que as vendas cresceram 2,7% em 2014 para 4.751 milhões de euros (ME), apesar da deflação de preços de produtos alimentares e da agressiva competição no sector.

Fonte oficial do grupo disse à Reuters que a Sonae vai dar prioridade ao ganho de quota de mercado em 2015 para solidificar a liderança do retalho em Portugal num contexto de pressão sobre as margens e queda das vendas like-for-like no alimentar.

No mercado secundário, os juros da dívida portugueses estão em queda em todos os prazos, a negociar em mínimos de sempre no prazo a dois anos.

Depois do fecho do mercado, os juros da dívida soberana portuguesa a dois anos negociavam nos 0,287%. No prazo a cinco anos, os juros também negociavam em queda, nos 1,535%, mas longe do mínimo atingido a 02 de janeiro deste ano. A dez anos, negociavam nos 2,589%, mantendo igualmente a tendência de queda verificada desde 02 de janeiro último.